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EDITAL DE CONVOCAÇÃO - ASSEMBLEIA GERAL - 06/10 - 10h

Ficam as docentes e os docentes sindicalizadas(os) da Universidade Federal do Rio Grande - FURG e IFRS - Campus Rio Grande convocadas(os) para a Assembleia Geral a ser realizada no dia 06 de outubro, terça-feira, na sede da APROFURG, às 10h, em primeira convocação, e, 10h30 em segunda convocação, com qualquer quórum para deliberar sobre a seguinte pauta:

- Informes;

- Revisão e sugestão de alterações no Estatuto da FURG;

- Assuntos Gerais.

*Seguindo uma deliberação do 39º Congresso do ANDES-SN, as assembleias serão descentralizadas. As salas nos campi de Santo Antônio da Patrulha, Santa Vitória do Palmar e em São Lourenço do Sul serão divulgadas posteriormente.

 

Rio Grande, 02 de outubro de 2026.

Gustavo Borba de Miranda

Presidente

MATERIA FINAL FOTO XXIX REGIONAL

 

Na sede da Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN, em Porto Alegre, uma frase resumiu o espírito do XXIX Encontro Regional antes mesmo que a primeira mesa começasse: "coisa boa é reencontrar colegas de luta". Foi assim que a diretoria da Regional saudou, na noite de sexta-feira, 25 de setembro, dezenas de docentes de seções sindicais do Rio Grande do Sul reunidos para dois dias de debate sobre os rumos do ANDES-SN, a política educacional brasileira e as condições de trabalho e saúde da categoria. O evento seguiu no sábado, 26, para o Auditório do Campus Canoas do IFRS, reunindo delegações de diferentes seções sindicais filiadas — entre elas a Aprofurg, que levou uma delegação de seis docentes da diretoria e da base: Gustavo Miranda, Denise Sena, Rodrigo da Rosa Pereira, Simone Alvarez, César Beras e Renato Della Vechia.

Abertura marcada pela solidariedade e pelos desafios da conjuntura

A Mesa de Abertura reuniu a professora Cátia Gemelli, do Sindoif, anfitrião do primeiro dia do encontro, André Martins, 2º vice-presidente regional, e Daniele Azambuja, 1ª vice-presidenta regional do ANDES-SN. Ao dar as boas-vindas em nome do Sindoif, Cátia Gemelli saudou os presentes destacando o valor simbólico do reencontro entre colegas de diferentes seções sindicais numa sexta-feira à noite, quando "a maioria está exausta da semana de trabalho", e agradeceu à comissão organizadora pela realização do evento, que se estenderia no dia seguinte ao Campus Canoas.

André Martins reforçou o caráter estratégico do encontro diante de uma conjuntura que classificou como complexa, lembrando que a Regional já havia promovido edições anteriores nos campi de Porto Alegre e Osório, e destacando como novidade a extensão da atividade ao Campus Canoas do IFRS — parte, segundo ele, do esforço de aproximar o ANDES-SN das seis seções sindicais que compõem a Regional Rio Grande do Sul.

Na saudação em nome da Regional, Daniele Azambuja agradeceu nominalmente a comissão organizadora e os convidados presentes reafirmando o compromisso da entidade com a organização da categoria às vésperas do Conad Extraordinário do ANDES-SN, quando estarão em debate questões políticas, organizativas e financeiras do sindicato nacional. A dirigente também expressou solidariedade às cidades gaúchas atingidas pelo temporal que atingiu a região dias antes do encontro, com destaque para Pelotas e Rio Grande, onde aulas foram suspensas e casas ficaram destelhadas. Ao declarar aberto o XXIX Encontro, Daniele Azambuja detalhou ainda a programação dos dois dias e os informes logísticos sobre o almoço oferecido no Campus Canoas, encerrando a fala com votos de "um ótimo encontro para nós".

Homenagem aos 20 anos de Ricardo Agliozzo na Regional

Antes da primeira mesa temática, o Encontro reservou um momento de celebração pensado, segundo a comissão organizadora, "com muito carinho": os 20 anos de atuação de Ricardo Agliozzo junto à Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN. Chamado à frente, Ricardo foi saudado como a face mais constante da Regional para quem busca a entidade "por telefone, seja por e-mail, seja presencialmente, buscando materiais ou até mesmo tomando um cafezinho". A organização destacou que a história da Regional é marcada pelo profissionalismo do funcionário, que acompanhou praticamente todos os encontros regionais já realizados desde o início dessa trajetória.

Emocionado, Ricardo dispensou discurso preparado e resumiu duas décadas de trabalho em poucas palavras: "eu tenho muito orgulho de participar do grupo de funcionários do Andes", afirmou, acrescentando que sempre buscou "atender melhor possível a categoria". A homenagem foi seguida de aplausos e de uma lembrança simbólica entregue pela diretoria da Regional, encerrando o momento antes da abertura da primeira mesa temática do encontro.

Mesa 1: o projeto do ANDES-SN para a educação em debate

A primeira mesa temática do Encontro, mediada por Denise Sena, da Aprofurg, trouxe o professor Francisco Jacob Paiva da Silva, da Universidade Federal do Amazonas, 3º secretário do ANDES-SN e coordenador do GTPE, para discutir o projeto do sindicato para a educação brasileira. Ao ser saudado pela mediadora, o professor agradeceu o convite e lembrou vínculos antigos com a Regional Rio Grande do Sul, evocando a memória do saudoso companheiro Fernando Molinos e citando referências de militância construídas ao longo de décadas de atuação no ANDES-SN, "estando longe de casa, mas perto pela luta que nos aproxima".

Partindo da obra clássica "Educação e Luta de Classes", de Aníbal Ponce, o professor percorreu a formação histórica da universidade no Brasil — da exclusão da maior parte da população do processo educacional no período colonial, passando pela chamada "universidade temporã" do século XX, até a reforma universitária de 1968, sob a ditadura militar, que consolidou o modelo departamental hoje em disputa, a partir do acordo MEC-USAID. Recordou que, até os anos 1950, o Brasil tinha mais de 60% de sua população em condição de analfabetismo, e que a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação data de 1961.

Jacob Paiva situou o nascimento do próprio ANDES-SN, ainda como associação no fim dos anos 1970, na necessidade de organizar a luta docente como parte da classe trabalhadora, ao lado do movimento estudantil e dos técnico-administrativos, num período em que reconhecer-se como parte dessa classe era, segundo relatou, motivo de resistência entre parcela da categoria. Recuperou a trajetória do Plano Nacional de Educação da Sociedade Brasileira, de 1997 — construído por mais de 30 entidades no âmbito do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e defendido pelo sindicato como referência histórica até hoje —, e contrapôs essa experiência à atual Política Nacional de Educação, da qual o ANDES-SN optou por não participar, por entender que reproduz, "na essência", os mesmos problemas do PNE aprovado no governo Dilma, oriundo da Conferência Nacional de Educação de 2010.

O painelista detalhou ainda os eixos que devem orientar a atualização do Caderno 2 do ANDES-SN — documento com 16 anos desde sua última revisão, que reúne o projeto do sindicato para a universidade brasileira. Entre os pontos elencados: o debate sobre a multicampia, a defesa de uma carreira única entre magistério superior e EBTT, os princípios de uma universidade antimachista, antirracista, antiLGBTfóbica e anticapacitista, os impactos socioambientais da atividade universitária, a expansão do setor privado e do ensino a distância — hoje responsável por mais matrículas em licenciaturas do que as universidades públicas — e os efeitos ainda pouco compreendidos da inteligência artificial sobre o trabalho docente.

O debate que se seguiu foi intenso. André Martins questionou o avanço das chamadas "universidades transformadoras" — projeto que, segundo relatou, já resultou na criação de três novas universidades federais a partir da transformação de antigos CEFETs de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, além da Universidade Federal da Fronteira Norte, sob discurso de "empreendedorismo e inovação" que, na avaliação do dirigente, disputa também uma fatia maior do fundo público. Já Fernanda Figueira (ADUFPel) trouxe a angústia de quem vê o movimento estudantil esvaziado: "a gente se mobiliza fortemente, mas, sem os estudantes, essa mobilização não vai andar", afirmou, relatando um episódio na UFPel em que estudantes tiveram que arrecadar recursos via rifa para custear a própria participação em um evento pago dentro do campus.

Simone Alvarez, da base da Aprofurg, relatou o caso de colegas que constrangem estudantes por defenderem seus direitos em sala de aula — um relato que expôs tensões internas às próprias universidades e a dificuldade de renovação da consciência sindical entre os mais jovens. Outra manifestação do debate chamou atenção para o avanço acelerado da inteligência artificial nas rotinas acadêmicas, tema que, segundo apontou, o sindicato ainda não conseguiu incorporar ao debate coletivo na velocidade necessária, tornando-se "não só linguagem, mas um ethos" que dificulta inclusive a própria mobilização da categoria. 

Mesa 2: organização sindical, proporcionalidade e questões financeiras

No sábado, já no Campus Canoas do IFRS, a Mesa 2 reuniu Maristela da Silva Souza, do Departamento de Educação Física da UFSM e do coletivo Cael, Gustavo Borba de Miranda, presidente da Aprofurg e militante do coletivo Unidade Classista, e Cláudio Enrique Fernández Rodriguez, professor de Eletrônica do Campus Canoas e tesoureiro do Sindoif, sob mediação de Elaine da Silva Neves, da Adufpel.

Maristela apresentou a proposta de proporcionalidade na composição das direções do ANDES-SN, construída a partir de textos de resolução debatidos em congressos recentes. A professora situou o debate no contexto de aprofundamento das crises econômica e social, do avanço de concepções ultraconservadoras e de uma "cultura do medo" que, em sua leitura, favorece o reformismo e a conciliação de classe. Sustentou que um sindicato forte exige dois princípios centrais — classismo e autonomia — organizados como frente única, capaz de acomodar a diversidade política existente na categoria sem abrir mão da unidade de ação.

A professora apontou dados que, em sua avaliação, evidenciam um déficit de representatividade na estrutura atual: o ANDES-SN reúne mais de 258 mil docentes na sua base de representação e cerca de 67 mil sindicalizados, mas a última eleição da diretoria nacional registrou pouco mais de 14 mil votantes, com a chapa vencedora eleita com aproximadamente 43% dos votos e assumindo, ainda assim, o controle integral da estrutura sindical — um modelo que, segundo argumentou, tende a restringir a atuação das demais forças políticas na comunicação institucional, nas assembleias e na composição de delegações para eventos nacionais. "Se defendemos um sindicato de frente única, precisamos organizar o sindicato como frente única", resumiu, defendendo que a proporcionalidade não elimina a disputa política nem retira centralidade das instâncias deliberativas do ANDES-SN, apenas redistribui a composição da direção conforme a expressão eleitoral de cada corrente, citando experiências já consolidadas em entidades como a Fasubra, o Sinasef, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e o próprio Sindoif.

Gustavo Miranda relatou o histórico dos dois Seminários Nacionais de Questões Organizativas, realizados em São Paulo, em novembro de 2025, e em Campinas, em maio deste ano, dos quais participou representando a Aprofurg. Recuperou os debates sobre rateio e fundo único — hoje formado pelo repasse de 20% da arrecadação das seções sindicais à direção nacional, mais 2% sobre o restante —, sobre a criação de um fundo eleitoral para equilibrar a disputa entre chapas e correntes, e sobre o fortalecimento das seções sindicais menores, tema em torno do qual reagiu com veemência a uma fala, ocorrida no último congresso em Salvador, que classificou como "extremamente antiética": a sugestão de que pequenas seções teriam interesse em permanecer pequenas apenas para seguir recebendo incentivo financeiro da nacional. Miranda também lembrou, com orgulho declarado, que a Aprofurg iniciou a greve de 2024 em 8 de abril, uma semana antes da deflagração nacional decidida pelo ANDES-SN, reforçando a defesa de um sindicato cada vez mais organizado e mobilizado diante do avanço das privatizações.

Cláudio Fernández Rodriguez, falando pelo Sindoif, ponderou sobre os riscos e potenciais da proporcionalidade diante da conjuntura política, observando que a maioria dos sindicatos brasileiros ainda opera pelo modelo majoritário e que a experiência proporcional, adotada em entidades como o Sinasef e o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, exige um compromisso de coexistência que nem sempre se verifica na prática. Defendeu que, independentemente do modelo escolhido pela base, o maior desafio organizativo do sindicato é reconstruir o compromisso de convivência e civilidade entre as diferentes correntes internas, alertando que o abuso de discussões que "beiram a incivilidade" tem dificultado a retomada da unidade de ação após os embates de Congressos e Conads.

Já Elaine da Silva Neves apresentou o trabalho da comissão criada no último Seminário Nacional para discutir o formato dos eventos deliberativos do ANDES-SN. Entre as propostas: a redução do número de observadores por delegação para quatro ou 50% da delegação, de modo a viabilizar a realização de Congressos em espaços públicos como universidades; a manutenção da exigência estatutária de dez assinaturas para apresentação de teses de resolução, com tentativa de sistematização prévia dos textos para reduzir sobreposições; a ampliação do quórum de instalação e deliberação nos grupos mistos e plenárias; e o retorno à duração de seis dias para Congressos e Conads, com jornadas até as 19h e manhãs livres intercaladas, de modo a reduzir a sobrecarga física das delegações presentes.

Lançamento do documentário "Educação e Ciência por um Brasil que dá certo"

Entre as mesas do segundo dia, o Encontro sediou o lançamento do documentário "Educação e Ciência por um Brasil que dá certo", produzido no âmbito da campanha nacional "Lutar não é Crime!", do ANDES-SN. O filme reúne depoimentos de lideranças estudantis e sindicais e de brasileiras e brasileiros cujas vidas são impactadas pelo ensino superior e pela ciência públicas, reforçando o papel de ambos na transformação do país diante dos ataques da extrema direita e das políticas de austeridade dos sucessivos governos.

Mesa 3: condições de trabalho e saúde docente

A Mesa 3, mediada por Jadir Camargo Lemos, diretor tesoureiro da Sedufsm e professor aposentado, trouxe os dados da pesquisa nacional do ANDES-SN sobre percepções docentes, apresentados por Fernanda Mendonça, integrante do GTSSA e professora da Universidade Estadual de Londrina, e discutidos pelo professor Luiz Henrique Schuch, da Adufpel.

Fernanda expôs um retrato preocupante da categoria a partir dos dados coletados pela pesquisa. Mulheres relatam sobrecarga de trabalho em proporção consistentemente maior que os homens em quase todos os indicadores pesquisados: 74% delas afirmam trabalhar além da jornada, contra 72% dos homens; 88% relatam sobrecarga profissional, contra 77%; e a maior discrepância aparece na sensação de tempo insuficiente para dar conta das demandas, relatada por 61% das docentes contra 46% dos docentes homens. O uso intensivo de aplicativos de mensagem e a resolução de tarefas fora do horário de trabalho apareceram fortemente associados tanto à sobrecarga quanto à pior percepção de saúde, assim como a organização do trabalho a partir da lógica de "demanda" — cumprir tarefas até o fim, independentemente do horário — em vez da lógica de "jornada".

A pesquisadora também apresentou dados sobre endividamento: docentes sem qualquer correção salarial pelo IPCA têm 48% mais chances de estarem endividados do que aqueles com reposição plena da inflação, e são justamente os mais endividados que mais recorrem ao trabalho adicional para complementar a renda. No recorte racial, a pesquisadora apontou que docentes indígenas, pardos e pretos têm 70% mais chances de estarem endividados do que colegas brancos ou amarelos — dado que, segundo destacou, evidencia o peso do racismo estrutural também na vida financeira da categoria. Entre as doenças mais relatadas, despontam os quadros musculoesqueléticos e os transtornos de ansiedade — estes últimos já em primeiro lugar entre docentes de universidades estaduais —, com mais da metade da categoria relatando insatisfação com a infraestrutura de seu local de trabalho.

Luiz Henrique Schuch situou a pesquisa na tradição da "enquete operária" de Marx, cujo valor, segundo defendeu, não está apenas nos dados em si, mas na sua capacidade de provocar autoconsciência e mobilização coletiva nas seções sindicais. O professor resgatou o histórico das disputas em torno da carreira docente desde os anos 2010 — quando já se desenhava, segundo relatou, um modelo de carreira essencialmente "auleiro" para as primeiras classes do magistério superior — e relacionou o atual cenário de precarização a um processo que descreveu como uma nova forma de colonização, agora financeirizada, citando como exemplo o FUNPRESP e o incentivo institucional ao endividamento via consignado. "Não podemos aceitar assumir como política de sindicato que sejam problemas individuais", afirmou sobre o adoecimento docente, defendendo resposta classista e coletiva ao tema diante de um cenário que classificou como uma inflexão comparável à vivida durante a ditadura militar.

O debate que encerrou a mesa reuniu diversos relatos. Um docente da Adufpel apontou que os afastamentos por doença — dado disponível publicamente — trazem ainda mais material para qualificar o debate com a categoria, com variações importantes entre homens e mulheres e entre docentes mais e menos idosos. Outro participante do evento relatou as dificuldades específicas de quem atua em cursos noturnos e do Reuni, sem espaço físico estruturado na universidade, obrigado a montar escritório em casa e a lidar com uma gestão que se comunica majoritariamente por WhatsApp e Instagram. 

Fechando os apontamentos da mesa, César Beras, da base da Aprofurg, sintetizou o diagnóstico compartilhado pelos presentes: a precarização não é um efeito colateral, mas uma arma estrutural da forma capitalista de mercantilizar a educação, presente em cada nova etapa de expansão universitária sem a correspondente garantia de condições de trabalho — um processo que, segundo observou, atravessa diferentes gestões e diferentes governos, inclusive aqueles com os quais a categoria mantém alguma expectativa de alinhamento.

Encerramento

Ao longo dos dois dias, o XXIX Encontro da Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN cumpriu a função que a própria abertura anunciou: reunir, debater e fortalecer os vínculos entre seções sindicais diante de uma conjuntura de disputa. Entre os debates sobre o projeto educacional do sindicato, os caminhos para a democratização da sua estrutura interna e os dados que expõem o adoecimento da categoria, ficou reafirmado o compromisso da Aprofurg — presente com seis docentes da diretoria e da base — com a construção coletiva do ANDES-SN e com a defesa de uma educação pública gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada.

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A APROFURG - Seção Sindical do ANDES-SN, por meio da Comissão Eleitoral faz a divulgação final da homologação das duas chapas inscritas para o processo de eleição da diretoria do Sindicato (biênio 2026-2028).

Confira a ata 01/2026 que trata do recebimento e abertura dos envelopes contendo os documentos de inscrição das chapas, e também a ata 02/2026 que homologa as duas chapas apresentadas, "Chapa 1 - Luta e Diversidade" e "Chapa 2 - Aprofurg em Movimento e Luta".

ATA 01/2026

ATA 02/2026

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Depois de duas noites em formato remoto, ditadas por um temporal que deixou parte de Rio Grande sem luz e sem internet, o Seminário Regional sobre Privatização na Educação no RS finalmente se reuniu presencialmente na noite de 24 de setembro, no prédio 4 do campus Carreiros da FURG. Foi um encerramento à altura dos três dias de debate: histórico de lutas sindicais, relato de um adolescente de 17 anos que ajudou a fundar um grêmio estudantil, apresentação artística sobre a história da educação negra no Brasil e, por fim, a leitura pública de um manifesto construído coletivamente ao longo do evento.

Com o tema "Formas de Resistir ao Avanço Privatista na Educação Básica", a mesa foi mediada pelo professor Ricardo Gonçalves Severo e reuniu Andréa Nunes da Rosa, diretora do CPERS-Sindicato, Suzane Teixeira Barros, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Município do Rio Grande (SINTERG), e Pedro Arthur Piva Silva, integrante do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Carlos Loréa Pinto. Antes do início dos trabalhos, o mediador fez um informe sobre as vedações da legislação eleitoral aplicáveis ao período de campanha, orientando que as falas do evento permanecessem no campo acadêmico e informativo.

81 anos de CPERS: da ditadura às 98 escolas em leilão

Convidada a apresentar um panorama histórico do sindicato, Andréa Nunes da Rosa percorreu oito décadas de greves, conquistas e retrocessos do CPERS, fundado em 1945 como organização de professores primários. A diretora relembrou que, ainda sob a ditadura militar, em 1979, a categoria realizou sua primeira greve — 13 dias de paralisação fortemente reprimidos, que garantiram a efetivação de 20 mil professores contratados. "Foi a primeira greve e a segunda no Brasil a entrar em greve no período da ditadura", contextualizou.

A trajetória seguiu por marcos como a conquista da eleição direta para diretores de escola por meio da Lei 10.576 — hoje extinta pelo governo Leite, que instituiu em seu lugar um modelo de seleção prévia por prova e curso, com possibilidade de destituição do diretor por descumprimento de metas —, e pela histórica greve de 96 dias em 1987, que resultou em acampamento na Praça da Matriz, em Porto Alegre. Andréa também recuperou a origem do símbolo da entidade: foi durante essa mobilização que a categoria passou a usar a sineta, instrumento que hoje empresta seu nome ao informativo do sindicato, em referência aos sinais escolares tocados manualmente pelas diretoras da época.

A diretora chamou atenção para o parcelamento salarial iniciado no governo Sartori como estratégia deliberada de desgaste da categoria. "Isso é estratégia, não é porque o Estado não tem dinheiro, o Estado tem dinheiro. Mas isso é uma estratégia política", afirmou, relacionando a prática à fragmentação da categoria entre professores, funcionários concursados, contratados e terceirizados, o que dificulta a unidade nas mobilizações.

Sobre o período mais recente, Andréa detalhou os efeitos da reforma da Previdência aprovada durante a gestão Leite, que instituiu a cobrança previdenciária sobre aposentados. "Hoje, se a gente pegar o contracheque de um professor aposentado, de agora e de dez anos atrás, ele ganha menos agora do que ganhava dez anos atrás", denunciou, citando alíquotas que chegam a 22% do salário. A diretora também alertou para a implementação, em curso, de câmeras de reconhecimento facial em salas de aula gaúchas — incluindo, segundo relato de uma representante da APP-Sindicato do Paraná, um projeto-piloto para identificar emoções de estudantes a partir da captura de imagens. "Isso é muito sério. Tudo está embutido dentro dessa política toda", declarou.

Sobre o momento presente da luta contra a concessão de 98 escolas estaduais à iniciativa privada, Andréa foi enfática: "A gente agora está com as 98 escolas do leilão suspenso, porque houve muita mobilização." E fez um chamado direto à organização coletiva: "A gente só conseguiu conquistar o que conquistou, resistiu e está resistindo a tudo que vem, porque a gente tem toda essa estrutura custeada, sustentada pelos sócios."

SINTERG: da APM aos 92% de sindicalização

Na sequência, Suzane Teixeira Barros apresentou a trajetória do SINTERG, fundado em 1989 a partir da Associação dos Professores Municipais (APM), já com a proposta de representar todas as categorias de trabalhadores da educação, não apenas docentes. "A educação não se faz só na sala de aula, e a educação não se faz só com professoras e professores", explicou, detalhando que a base do sindicato inclui bibliotecárias, secretários de escola, auxiliares da educação infantil, monitores e motoristas do transporte escolar. Segundo a coordenadora, o sindicato conta hoje com cerca de 92% de adesão entre os trabalhadores da rede municipal — sem caráter compulsório.

Suzane relembrou episódios marcantes da luta municipal, entre eles a ocupação da Câmara de Vereadores de Rio Grande por três dias em 2016, em protesto contra a Emenda Constitucional 95, que congelou por vinte anos os investimentos em educação, saúde e assistência social. "Como é que em 20 anos as coisas não sobem? Na escola não estraga nada?", questionou.

Um dos momentos mais duros do relato foi a votação do Plano Municipal de Educação em 2015, quando, segundo Suzane, vereadores retiraram do texto — construído ao longo de uma conferência municipal com 700 delegados e delegadas — todas as menções a gênero e educação sexual, em meio a uma campanha de desinformação promovida por parte do poder legislativo e de líderes religiosos. "Nós fomos acusados de querer ensinar sexo para as crianças pequenas", relatou, descrevendo cenas de tropa de choque com cães na porta da Câmara. A coordenadora alertou que o município discutirá, no próximo ano, um novo Plano Municipal de Educação, e que o mesmo tipo de ataque pode se repetir. Questionando diretamente o público sobre o interesse das fundações privadas na educação pública, Suzane resumiu: "Porque dá lucro. Você já viu empresa querer fazer alguma coisa sem ganhar lucro?"

A voz do movimento estudantil

Talvez o momento mais emocionante da noite tenha sido a fala de Pedro Arthur Piva Silva, de 17 anos, cursando o segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Carlos Loréa Pinto. Contando com humildade sua pouca experiência diante da trajetória das demais palestrantes — "eu não tenho nem um terço aqui da experiência dos professores que falaram antes de mim, sou um recém-nascido nessa causa" —, o estudante relatou como a ameaça de privatização foi o fator decisivo para a fundação do Grêmio Estudantil de sua escola, a União Estudantil Coruja, no início de 2026.

"A gente pensou: e aí, o que a gente vai fazer, vai ficar aqui esperando e não vai acontecer nada? E esse foi o principal fator", relembrou, explicando que o processo incluiu eleição de chapa e aprovação de estatuto em assembleia geral. Pedro Arthur contou como a articulação entre grêmios de diferentes escolas — Loréa Pinto, Juvenal Miller e Bibiano de Almeida — revelou que as mesmas informações sobre o projeto de concessão circulavam simultaneamente em várias unidades da rede, o que impulsionou a criação de um comitê estudantil para organizar a resposta coletiva.

O estudante também criticou a falta de resposta das instâncias oficiais aos apelos do movimento estudantil, citando o exemplo recente de reivindicações sobre a estrutura escolar em dias de eventos climáticos extremos: "A gente é tratado às vezes como se a gente não tivesse nem capacidade mínima para escrever um e-mail." Encerrando sua fala, Pedro Arthur deixou um recado direto: "Quando a gente discute o futuro da escola pública, os estudantes devem estar no centro disso. Os estudantes devem ser escutados com respeito, com dignidade e com muita maturidade."

Debate: quem ganha com a privatização?

No espaço de perguntas, uma das intervenções do público resumiu o espírito da noite.  Uma professora com 20 anos de experiência na educação, retomou a fala de Suzane sobre o lucro como motor da privatização e acrescentou uma leitura ideológica ao fenômeno: "A burguesia brasileira quer retomar esses espaços que hoje estão ocupados por professores e professoras e trabalhadores do campo popular", afirmou, destacando que bancos e fundações "não vão investir em educação à toa" e que "quando você paga, você manda".

Sarau Teresas e a linha do tempo da educação negra no Brasil

Encerrando a parte de debates, o seminário recebeu uma apresentação do coletivo cultural Sarau Terezas , conduzida por Pâmela da Conceição. Filha de uma mulher que foi a primeira de 16 irmãos e neta de avós analfabeto e semialfabetizado, Pâmela emocionou o público ao relembrar a frase que sua mãe lhe disse no primeiro dia de aula: "Dentro de casa eu sou a autoridade, mas na sala de aula a autoridade é a professora. Respeite a professora e obedeça a professora."

A partir do princípio Sankofa — da filosofia dos povos Akan de Gana, que ensina que "nunca é tarde para voltar e resgatar o que ficou para trás" —, a apresentação conduziu o público por uma linha do tempo interativa da educação brasileira, desde a Constituição de 1824, que previa instrução primária gratuita apenas para homens brancos livres, passando pelo primeiro censo do Império de 1872 — quando oito em cada dez brasileiros eram analfabetos, e mais de 99% da população escravizada não sabia ler —, até a Constituição de 1988 e a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. "A escola pública não é apenas um prédio. É também aquilo que ela escolhe ensinar", resumiu Pâmela.

A carta final: manifesto contra as privatizações

Encerrando os três dias de seminário, o professor Leonardo Dorneles Gonçalves fez a leitura pública do "Manifesto Contra as Privatizações na Educação do Rio Grande do Sul", carta final construída a partir de anotações sistematizadas ao longo do evento pelos grupos de pesquisa organizadores, com apoio de mestrandos e mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Educação da FURG.

O documento, que toma emprestado como epígrafe o verso "é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte", reafirma a "posição contrária aos processos de privatização que vêm, ao longo dos anos, ameaçando o caráter público da educação e a gestão pública das escolas estaduais e municipais" e situa a mercantilização e a militarização como duas faces de um mesmo avanço neoliberal sobre a escola pública gaúcha.

A carta reconhece que os processos de privatização "ocorrem de forma silenciosa, apresentados em sua maioria sob a forma de parcerias, contribuições e arranjos públicos e privados", e aponta que, na esfera estadual, observa-se "a incorporação da lógica empresarial para o interior das políticas educacionais coordenadas pela Seduc". O documento também presta tributo explícito à história do movimento docente: "A história do movimento docente, suas organizações sindicais, as melhorias por condições de trabalho, os planos de carreira, o direito de cátedra, a conquista da gestão democrática e do financiamento público nos ensina que o direito à educação é uma conquista que jamais seria concedida pelas elites econômicas desse país."

Por fim, o manifesto dedica um parágrafo específico à valorização da resistência estudantil: "Valorizamos a resistência dos estudantes, sujeitos coletivos fundamentais que se mobilizam nas escolas, nos grêmios estudantis, contra a privatização da educação" — reconhecimento direto à fala de Pedro Arthur mais cedo na noite. O texto se encerra com um compromisso coletivo: construir escolas como "espaço de socialização cultural diversa, plural e de convivência democrática", o que implica, segundo o documento, "a expulsão de todas as instituições do mercado que hoje incidem sobre as escolas públicas do Rio Grande do Sul".

A leitura foi aprovada por aclamação do público presente, e a organização do seminário anunciou que o manifesto será divulgado nos canais de comunicação de todas as entidades apoiadoras — entre elas a APROFURG, o CPERS-Sindicato, o SINTERG, a APTAFURG, o DCE da FURG e o Grêmio Estudantil da Escola Carlos Loréa Pinto — encerrando três dias de debate que, mesmo diante de um temporal, não deixaram de reunir pesquisadores, sindicalistas e estudantes em defesa da educação pública gaúcha.

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