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Ficam as docentes e os docentes sindicalizadas(os) da Universidade Federal do Rio Grande - FURG e IFRS - Campus Rio Grande convocadas(os) para a Assembleia Geral a ser realizada no dia 20 de maio, quarta-feira, na sede da APROFURG, às 8h, em primeira convocação, e, 8h30 em segunda convocação, com qualquer quórum para deliberar sobre a seguinte pauta:

- Informes;
- Análise de conjuntura;
- Deliberação sobre paralisação de um dia, a cada dois meses, até que o Acordo de Greve (10/2024) seja totalmente cumprido;
- Assuntos gerais.

*Seguindo uma deliberação do 39º Congresso do ANDES-SN, as assembleias serão descentralizadas. As salas nos campi de Santo Antônio da Patrulha, Santa Vitória do Palmar e em São Lourenço do Sul serão divulgadas posteriormente.

Comprometida com a acessibilidade, a APROFURG disponibiliza interpretação em Libras mediante solicitação com até 24 horas de antecedência.

Rio Grande, 15 de maio de 2026.
Gustavo Borba de Miranda
Presidente

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A possibilidade de adesão a um novo plano de saúde para servidoras(es) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e do IFRS – Campus Rio Grande foi debatida na tarde desta quarta-feira (14), durante assembleia conjunta promovida pela APROFURG, APTAFURG e AFURG. A sede da APTAFURG recebeu docentes, técnicas e técnicos administrativos para a apresentação da proposta da operadora DoctorClin, que negocia a oferta de um plano coletivo por adesão voltado às categorias representadas pelas entidades. O evento ocorreu em formato híbrido, com transmissão online.

Participaram da mesa a representante da Doctor Clin e da Amplex Seguros, Tafate Ries Schmidt; a vice-presidenta da APROFURG, Angélica Miranda; Patrick Freitas, da APTAFURG; e Everton Luis de Almeida Porciúncula, da AFURG.

Por que buscar uma alternativa?

A assembleia ocorreu em meio ao descontentamento crescente de parte da categoria com os altos custos dos planos de saúde vigentes e as dificuldades enfrentadas pelos servidores para manter a cobertura médica das famílias. Na abertura da atividade, representantes das entidades destacaram que a busca por alternativas é uma demanda antiga dos trabalhadores da universidade e do IFRS.

Angélica Miranda, vice-presidenta da APROFURG, contextualizou a situação: “Recebemos reivindicações no sindicato, e acompanhamos o relato de que os valores aumentam a cada dia, fazendo com que muitas famílias precisem decidir quem consegue permanecer no plano de saúde e quem fica de fora.” Para ela, o momento exige que o movimento sindical encare a saúde do trabalhador como uma pauta coletiva e urgente: "Muitas pessoas continuam se sentindo insatisfeitas pelos altos valores, pelas demoras no atendimento e, por vezes, até tendo que pagar um médico particular, porque não tem como ser atendido”.

Patrick Freitas, da APTAFURG, reforçou que as negociações com a Doctor Clin tiveram início em fevereiro deste ano e que o esforço conjunto das entidades resultou em uma proposta já estruturada: "A gente trazia essa demanda reprimida da questão do plano de saúde. Então, a gente procurou a Doctor Clin e acabamos nos envolvendo todos nesse processo, a APTAFURG, a APROFURG e a AFURG." Segundo ele, a intenção é oferecer uma alternativa economicamente viável e capaz de atender não apenas servidoras(es) da FURG e do IFRS, mas também trabalhadoras(es) da Ebserh.

O plano e seus diferenciais

A Doctor Clin é uma operadora gaúcha com 30 anos de mercado, que vem expandindo sua atuação para a região sul do estado. Segundo Tafate Ries Schmidt, a operadora já conta com mais de 4 mil beneficiários na região e foi eleita pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como a melhor gestora dos recursos financeiros dos beneficiários no Rio Grande do Sul — pelo sexto ano consecutivo com os menores índices de reajuste do estado.

Durante a apresentação, Tafate detalhou o funcionamento do plano, a rede credenciada e os projetos de expansão. Na cidade de Rio Grande, a rede já conta com quase 170 profissionais credenciados, entre médicos, laboratórios e centros de diagnóstico. O principal ponto de referência hospitalar é o Hospital Monporto, que oferece atendimento 24 horas com cobertura em clínica médica, traumatologia, pediatria, cirurgia geral, UTI humanizada e amplo corpo clínico para consultas eletivas. Para este ano, está prevista a inauguração de uma nova unidade própria da Doctor Clin na cidade, em um imóvel de patrimônio histórico já em reforma.

Para quem viaja ou reside em outras cidades, a operadora possui rede credenciada em toda a região metropolitana de Porto Alegre — incluindo hospital próprio, pronto atendimento, laboratório e clínica de oncologia — além de unidades em Canoas, São Leopoldo, Campo Bom, Esteio e Novo Hamburgo. Em todo o território nacional, a cobertura para urgência e emergência é garantida pela Rede Abramge, associação de operadoras de planos de saúde.
Em Pelotas, a rede ainda está em expansão, com 16 profissionais credenciados já disponíveis — entre psiquiatria, neurologia, reumatologia, pediatria e laboratório. Tafate confirmou que a ampliação da rede no município será iniciada na próxima semana.

Valores e economia em relação ao plano atual

Um dos pontos de maior interesse para a categoria foi a comparação de valores. O plano ofertado é global — ambulatorial e hospitalar — com tabela de preços igualitária para titular, cônjuge, filhos, enteados e netos. Entre os principais diferenciais apresentados está a possibilidade de inclusão de dependentes até 39 anos de idade — enquanto o plano atual da Unimed aceita dependentes apenas até os 24 anos, com passagem para a categoria de agregado após essa faixa, com custo significativamente mais elevado.

Segundo projeção apresentada na assembleia, na faixa etária de 0 a 18 anos a mensalidade é de R$ 147,00, enquanto o plano regional com coparticipação da Unimed parte de R$ 185,00 — diferença de R$ 38,00 mensais ou R$ 459,00 por ano apenas nessa faixa. "A Doctor Clin é uma operadora que se posiciona com valores mais acessíveis aos beneficiários, justamente por essa gestão sustentável e verticalização do grupo", afirmou Tafate. "Hoje é o menor reajuste do mercado registrado na ANS no Rio Grande do Sul."

O pagamento é feito por boleto bancário, e as(os) servidoras(es) poderão solicitar à universidade o ressarcimento do auxílio-saúde diretamente no contracheque, da mesma forma que já ocorre com outros planos contratados individualmente. A cobertura segue o rol da ANS, com atendimento ambulatorial e hospitalar.

Quanto ao reajuste anual, por se tratar de plano coletivo por adesão — e não familiar —, ele é calculado com base na sinistralidade do grupo. Tafate destacou que a DoctorClin registrou, neste ano, reajuste de 9% no plano hospitalar e 11% no ambulatorial, resultado da política de verticalização da operadora, que gerencia suas próprias clínicas e laboratórios.

Carências e portabilidade

Para quem já possui plano de saúde há mais de dois anos, é possível solicitar portabilidade de carências, ingressando na Doctor Clin sem cumprir novos períodos de espera. Para quem tem plano há menos tempo, haverá análise individual e aproveitamento proporcional das carências já cumpridas. Quem não possui plano atual cumprirá as carências padrão previstas pela ANS: 10 dias para consultas, 90 dias para exames de médio custo, 180 dias para internações clínicas e 300 dias para parto.

Para terapias — incluindo metodologias específicas como ABA — a coparticipação é de R$ 55,00 por sessão, sem limite de quantidade, conforme legislação vigente que proíbe limitação de terapias pelas operadoras.

Dúvidas e limitações debatidas
Após a apresentação, a assembleia foi aberta para perguntas. Entre as principais dúvidas estiveram reajustes anuais, regras de coparticipação, cobertura para terapias, internações, carências e portabilidade de contratos anteriores.

Um ponto de atenção levantado pelos participantes foi a ausência de cobertura para pais e mães como dependentes — limitação que preocupa especialmente servidoras(es) que mantêm familiares idosos em seus planos atuais. A representante da Doctor Clin confirmou que o contrato coletivo por adesão contempla apenas cônjuges, filhos, enteados e netos, admitindo dependência de tutelados somente mediante decisão judicial.

Posição da APROFURG

As entidades sindicais reforçaram que a proposta ainda está em fase de apresentação e debate junto à categoria e que a adesão será uma decisão individual de cada servidor ou servidora.

Para a APROFURG, a existência de novas alternativas é fundamental diante do cenário atual. A vice-presidenta Angélica Miranda ressaltou que o objetivo da entidade não é indicar uma única opção, mas ampliar as possibilidades disponíveis: "Para nós é importante ter outra possibilidade de plano de saúde, para que os nossos sindicalizados possam escolher a melhor opção, tendo em vista que muitas pessoas não tiveram como dar continuidade ao plano que estavam e ficaram sem plano de saúde — e isso inclui também os agregados que essas pessoas têm nas suas famílias".

A entidade também ressaltou que, embora o plano coletivo da Doctor Clin não contemple pais e mães como dependentes, existem outras modalidades ofertadas pela operadora que poderão ser avaliadas individualmente pelos sindicalizados, como os planos familiares.

Agregados

Na manhã desta quinta-feira (15), a representante da Doctor Clin atendeu os pedidos da APROFURG, mencionados durante a assembleia de ontem, e enviou as informações sobre os agregados, em um plano que se chama Flex Família Hospitalar I. A proposta do plano individual/familiar — Flex Família Hospitalar I — com cobertura hospitalar, ambulatorial e odontológica, voltada para contratação por pessoa física ou núcleo familiar. O plano inclui odontologia sem custo adicional, cobertura de terapias com metodologia específica (ABA, Denver, Bobath e outras) e livre acesso ao Hospital DoctorClin. Os valores variam conforme faixa etária e número de dependentes, com desconto progressivo para quem inclui mais pessoas. O produto se distingue do plano coletivo apresentado na assembleia por ser individual/familiar — o que muda regras de reajuste e elegibilidade. É uma opção relevante especialmente para quem precisa incluir dependentes acima de 39 anos ou não está vinculado às entidades.

Principais dados e números:
-Faixa mais barata (0–18 anos, titular com 2+ dependentes): R$ 215,57/mês por beneficiário
-Faixa mais cara (59+, individual): R$ 1.510,57/mês
-Desconto para titular com 1 dependente: aproximadamente 10% sobre o valor individual
-Desconto para titular com 2 ou mais dependentes: aproximadamente 15% sobre o valor individual
-Coparticipação em consultas eletivas: R$ 40,00
-Coparticipação em urgência/emergência: R$ 55,00
-Coparticipação em terapias com metodologia específica (ABA, etc.): R$ 60,00 por sessão
-Internação hospitalar por evento: R$ 300,00 (coparticipação)
-Taxa de inscrição: R$ 25,00 por beneficiário
-Dependentes elegíveis até 39 anos
-Operadora com 150 mil clientes, 20 unidades próprias e 16 postos de coleta do Laboratório Qualitá
-Carência para internações clínicas: 180 dias; para parto: 300 dias; urgência/emergência: 24h

A proposta apresenta um produto diferente do plano coletivo por adesão debatido na assembleia. Trata-se de um plano individual/familiar, o que tem implicações diretas:

-O reajuste anual, nessa modalidade, segue obrigatoriamente o índice oficial da ANS — ao contrário do plano coletivo, cujo reajuste é negociado entre as partes com base na sinistralidade do grupo. Isso representa uma proteção legal importante para o consumidor.
-O plano inclui odontologia — cobertura ausente no plano coletivo apresentado na assembleia.
-A coparticipação em terapias com metodologia específica neste plano é de R$ 60,00 por sessão, contra R$ 55,00 no plano coletivo — diferença pequena, mas que existe.

-O plano admite tutelados como dependentes mediante Termo de Guarda ou tutela, sem menção à exigência de decisão judicial — redação mais ampla que a apresentada verbalmente na assembleia.
- Há uma Rede Max opcional para consultas eletivas mediante coparticipação de R$ 55,00, o que sugere uma rede credenciada ainda mais ampla disponível mediante pagamento adicional.

 

Próximos passos

A apresentação com todos os detalhes do plano e a tabela comparativa de valores foi disponibilizada nos grupos das entidades e seguem em anexo no e-mail aos sindicalizados(as). Servidoras(es) interessadas(os) devem entrar em contato com a APTAFURG ou a APROFURG para obter informações sobre adesão.

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A ADUFPel sediou, nos dias 8 e 9 de maio, o XXVIII Encontro da Regional RS do ANDES-SN. Docentes da base e representantes das seis seções sindicais da regional, que construíram a atividade (ADUFPel, Aprofurg, Sedufsm, ANDES/UFRGS, Sesunipampa e SindoIF) e da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul se reuniram em Pelotas (RS) para debater os desafios das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e do movimento sindical docente, promovendo reflexões sobre carreira, aposentadoria, condições de trabalho e defesa da universidade pública. 

A programação começou com a mesa de abertura, composta pela presidenta da ADUFPel, Adriana Lourenço da Silva, pelo representante do SindoIF, André Rosa Martins, e pela representante do ANDES/UFRGS, Daniele Azambuja de Borba Cunha. Adriana destacou que o encontro foi pensado como espaço de debate e reflexão voltado ao fortalecimento das lutas da categoria e à construção de ações concretas em defesa da universidade pública, laica, gratuita e socialmente referenciada. André ressaltou a importância do encontro para avançar em temas fundamentais para o movimento sindical docente, enquanto Daniele enfatizou a necessidade de fortalecer coletivamente as ações do ANDES-SN e a unidade da categoria diante dos desafios enfrentados pela educação pública.

Na sequência, a Mesa 1 - “Compromisso acadêmico e direitos de aposentadoria” - contou com exposições de Luiz Henrique Schuch (ADUFPel) e Jadir Lemos (Sedufsm), sob coordenação de Norlai Azevedo (ADUFPel).

Durante sua fala, Schuch relacionou o debate sobre aposentadoria à própria concepção de universidade pública e ao papel social da carreira docente. O professor resgatou o histórico das reformas previdenciárias desde a Emenda Constitucional 20, de 1998, destacando os impactos sobre docentes da ativa e aposentados/as. Segundo ele, “o tipo de relação estruturada que é aprendida pela prática, por quem trabalha na universidade, especialmente o corpo docente, é decisiva”, defendendo que a carreira docente precisa garantir estabilidade, segurança e perspectiva de futuro para fortalecer o compromisso com a instituição pública.

O diretor da ADUFPel também criticou medidas como o fim da integralidade e da paridade, a criação do Funpresp e a cobrança previdenciária sobre aposentados/as, classificada por ele como “um confisco injustificável, ilegal”. Para Schuch, o enfraquecimento dos direitos e das garantias da carreira produz insegurança e individualização dentro das universidades. “As pessoas olham para aquela realidade e dizem: ‘não, eu tenho que me agarrar nesse meu direito, nesse cargo que é meu’, perdendo a perspectiva da função pública daquele cargo”, afirmou.

Ao analisar os impactos dessas mudanças sobre as universidades federais, Schuch relacionou a retirada de direitos ao avanço de projetos privatizantes dentro das instituições públicas. “É impossível que quem implementa uma estratégia dessas não saiba que há um embate de projetos sobre que papel tem a universidade brasileira”, declarou. O docente também criticou alterações nas negociações de carreira, especialmente após 2010 e 2012, apontando o rebaixamento da posição do Professor Adjunto do topo para a classe inicial da carreira, o enfraquecimento do vencimento básico frente à ampliação das gratificações e os impactos sobre a Dedicação Exclusiva. “Nós tínhamos toda uma luta histórica para incentivar os docentes a terem dedicação exclusiva, exatamente para se dedicarem a um projeto de fôlego na universidade”, destacou.

Na sequência, Jadir Lemos, docente da Sedufsm e aposentado da UFSM há nove anos, refletiu sobre as mudanças vividas pela universidade pública e os impactos das reformas previdenciárias sobre os servidores públicos. Ao recordar a Emenda Constitucional 20, afirmou que “a aposentadoria ainda era um sonho das pessoas” antes das mudanças implementadas em 1998. Segundo ele, desde então os trabalhadores passaram a sofrer sucessivas perdas de direitos.

Jadir criticou a postura dos sucessivos governos em relação à educação pública e afirmou que “os que se sucederam desde 1998, os de direita e os de esquerda, vêm cada vez mais depreciando a educação”. O docente também demonstrou preocupação com o distanciamento entre os novos professores e o compromisso coletivo com a universidade pública. “Eu olho para a nova geração de docentes que estão na universidade e fico me perguntando o que é que eles vieram mesmo buscar aqui”, declarou. Para ele, “não há mais um comprometimento com a instituição e com o público”.

O professor relacionou esse cenário à intensificação e à precarização das condições de trabalho e ao avanço da terceirização nas instituições de ensino. Ao compartilhar sua experiência pessoal, relatou: “Eu resolvi me aposentar porque eu não sentia mais meu olho brilhar ao chegar na universidade”. Também chamou atenção para os impactos das atuais condições de trabalho sobre a saúde. “Hoje, muitas vezes, você tem 10, 12 orientandos de graduação e pós-graduação. Você não tem mais controle do seu tempo”, afirmou.

Ao defender a necessidade de mobilização coletiva, Jadir ressaltou que a recuperação de direitos depende da organização da categoria. “Quanto mais tempo nós permanecemos calados, maior a possibilidade de termos outras reformas que nos levem cada vez mais para o buraco”, alertou. O docente também destacou a importância de ampliar o debate sobre condições de trabalho nas universidades públicas, utilizando dados da Enquete Nacional sobre Saúde Docente do ANDES-SN como instrumento de mobilização e pressão política.

Encerrando a programação da sexta-feira, os participantes confraternizaram em um momento de integração e convivência ao som do músico Marcos Werner.

Desafios das Instituições de Ensino Superior e da organização sindical docente 

A segunda mesa do Encontro da Regional RS do ANDES-SN, realizada na manhã de sábado (9), debateu “Instituições de Ensino Superior (IES) públicas na contemporaneidade e os desafios para o movimento sindical”. A atividade contou com a participação de Manoel Porto Júnior, do Sinasefe IFSul, e de Valdelaine da Rosa Mendes, da ADUFPel, sob coordenação de Adriana Lourenço da Silva, presidenta da ADUFPel.

Professor do IFSul há mais de 30 anos, Porto Júnior trouxe reflexões sobre carreira e aposentadoria no serviço público. Segundo ele, o compromisso dos/as servidores/as com a sociedade depende de condições estáveis de trabalho e de garantia de direitos. Para o dirigente, o enfraquecimento das carreiras e das garantias previdenciárias compromete a própria relação dos/as trabalhadores/as com o serviço público e favorece processos de precarização e privatização.

Ao abordar as mudanças nas carreiras docentes, criticou a ausência de estudos sobre os impactos das alterações para aposentados/as e relembrou disputas travadas nas negociações salariais. Apesar das críticas, ressaltou conquistas históricas da educação federal. “As carreiras na América Latina inteira são muito piores do que as nossas”, afirmou, citando a importância da organização sindical brasileira para a manutenção de direitos.

A discussão avançou para os desafios políticos e estruturais do movimento sindical diante do capitalismo dependente brasileiro. Para o palestrante, cabe à classe trabalhadora construir um projeto de país articulado à defesa da educação pública. “Cabe à classe trabalhadora a construção de um projeto de país”, afirmou.

Nesse sentido, defendeu que a autonomia universitária não pode significar isolamento social. “A autonomia não significa que a gente tem que ficar separado da sociedade”, destacou. A partir de referências a Antonio Gramsci, argumentou: “O espaço da universidade devia ser um espaço de discussão dos problemas da sociedade e de busca de soluções”, disse.

O dirigente enfatizou, ainda, a importância da aproximação entre sindicato e espaços institucionais, como programas de extensão, grupos de pesquisa e programas de pós-graduação. Como exemplo, citou o Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica, que, segundo ele, contribuiu para a formação de representantes sindicais no IFSul. “A maior parte dos nossos militantes sindicais que são representantes de base são provenientes do mestrado que a gente tem”, relatou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de ampliar os espaços de articulação política e sindical. “A gente não pode se isolar. A gente tem que enfrentar o ambiente contraditório da realidade da unidade de classe”, afirmou. Manoel também apresentou experiências organizativas do Sinasefe no IFSul, destacando mudanças voltadas à ampliação da participação das mulheres e iniciativas de aproximação com aposentados/as, como encontros mensais e atividades culturais. Para ele, ações desse tipo fortalecem os vínculos coletivos e ampliam a participação sindical. “O sindicato tem que se aproximar da disputa do rumo da sociedade. Não pode trabalhar à parte”, concluiu.

A mesa também contou com a participação da professora da Faculdade de Educação da UFPel, Valdelaine da Rosa Mendes, que abordou os desafios enfrentados pelas instituições públicas de ensino diante dos processos de mercantilização e privatização da educação. Partindo da reflexão de que o sindicato deve estar vinculado a um projeto de universidade pública comprometido com os interesses da classe trabalhadora, a docente afirmou que é preciso compreender “os meios de destruição da instituição pública de ensino hoje no Brasil” para organizar formas de resistência.

Ao longo da exposição, Valdelaine retomou autores como Florestan Fernandes e Luiz Carlos de Freitas para discutir como as universidades brasileiras foram historicamente estruturadas a partir de projetos das elites econômicas, distantes das demandas populares. Segundo ela, princípios como autonomia universitária, gestão democrática e coletividade vêm sendo fragilizados por mudanças graduais que alteram o cotidiano das instituições públicas.

A professora chamou atenção para o que definiu como processos de “privatização endógena”, caracterizados pela introdução de lógicas mercantis dentro das universidades. Entre os exemplos citados, destacou a pressão por indicadores e certificações, a expansão da educação a distância em condições precárias e a crescente competição acadêmica. “Educação não é espaço de competição”, salientou.

Valdelaine também problematizou as mudanças nas relações de trabalho e convivência dentro das universidades. Segundo ela, processos administrativos e tecnológicos vêm reduzindo os espaços coletivos e aprofundando o individualismo institucional. Citou como exemplos o excesso de comissões, a centralização de processos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e os impactos do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que, em sua avaliação, enfraquece vínculos entre servidores, estudantes e comunidade acadêmica.

Outro ponto abordado foi a política de editais por adesão e a atuação das fundações privadas de apoio dentro das universidades públicas. Com base em dados do Portal da Transparência, a professora apresentou números relacionados à distribuição de bolsas na UFPel e argumentou que esse modelo contribui para a precarização do trabalho e o aprofundamento de hierarquias internas. Segundo ela, em janeiro de 2026 foram registradas 608 bolsas vinculadas à fundação de apoio da universidade, sendo que a maior parte não era destinada a estudantes em formação.

Para Valdelaine, esses mecanismos produzem “naturalizações” no cotidiano universitário e dificultam a construção de lutas coletivas. “Nosso grande desafio é levar esse debate para os nossos pares e produzir reflexão crítica sobre esses processos”, defendeu.

Apesar das críticas ao avanço da privatização e da lógica mercantil, a docente ressaltou: “Passados quase 30 anos, seguimos com a universidade pública e gratuita graças à luta do movimento sindical e das entidades da educação”. 

Organização sindical e multicampia no RS

O XXVIII Encontro da Regional RS do ANDES-SN foi encerrado, na tarde de sábado (9), com debates sobre organização sindical, multicampia e os desafios enfrentados pelas seções sindicais em universidades e institutos federais. A programação contou ainda com o lançamento do Caderno 29 - “Memória e Luta: Só o ANDES-SN nos Representa”, organizado pelo Grupo de Trabalho de Organização Sindical das Oposições (GTO) nacional.

Durante o lançamento, a diretora do ANDES/UFRGS, Maria Ceci Misoczky, destacou que a publicação resgata mais de duas décadas de enfrentamento ao PROIFES e sistematiza experiências de organização sindical em diferentes universidades do país. “Essa memória de como nós fomos e ainda estamos sendo sistematicamente atacados, não apenas como sindicato, mas como categoria, é uma história que a gente não pode deixar de contar”, afirmou.

Segundo Ceci, o GTO surgiu a partir da organização de docentes das bases vinculadas ao PROIFES que participaram ativamente da greve docente de 2024. “É dessa presença dentro do ANDES, acolhidos no nosso comando nacional de greve, que se forja a criação do GTO”, declarou. O caderno reúne relatos de seções sindicais e coletivos de oposição, além de recuperar episódios históricos das disputas em torno da representação sindical docente. 

Ao tomar a palavra, o ex-presidente do ANDES-SN e atual diretor da ADUFPel, Luiz Henrique Schuch, que também fez parte da mesa, resgatou a trajetória histórica do movimento docente e das disputas em torno da organização sindical durante o processo de redemocratização do país. Em sua fala, relacionou a criação do Sindicato Nacional ao contexto do chamado novo sindicalismo, marcado pelas greves operárias do ABC paulista e pela organização dos movimentos populares e do campo. Schuch também relembrou os debates travados nos primeiros congressos do ANDES-SN sobre o modelo organizativo da entidade, destacando a defesa de um sindicato nacional estruturado pela base docente. 

Encerrando a programação do encontro, a mesa “Organização sindical e multicampia: seções sindicais” reuniu Cláudio Fernandes, Rafael Campos e Vânia Rey Paz, com coordenação da Marcia Umpierre, docente da base da Aprofurg. O debate abordou os desafios da organização sindical em instituições multicampi, as dificuldades de mobilização nos campi do interior e os impactos da precarização orçamentária sobre docentes e estudantes.

Marcia relembrou o processo de fortalecimento da organização docente na FURG durante a greve de 2016 e destacou a necessidade de reconhecimento institucional da multicampia. “O desafio era, e é até hoje dentro da universidade como um todo, é a Universidade Federal do Rio Grande se reconhecer como uma universidade multicampi”, afirmou. Ela também apontou dificuldades relacionadas à sobrecarga de trabalho, falta de infraestrutura e pertencimento institucional nos campi fora da sede.

Representando a UFSM, Vânia Rey Paz relatou as condições precárias encontradas nos primeiros anos do campus Palmeira das Missões e criticou os efeitos dos cortes orçamentários e da uniformização dos processos de avaliação docente. “Os instrumentos de avaliação que nós temos, tanto para progressão quanto para promoção, são os mesmos, viva a pessoa na sede ou fora de sede”, afirmou.

Pela Sesunipampa, Rafael Campos destacou os obstáculos para a organização sindical em uma universidade distribuída em dez campi. “O desafio de tentar mobilizar uma base docente que está pulverizada em dez unidades” foi um dos principais pontos de sua fala. Segundo ele, problemas relacionados à evasão estudantil, assistência estudantil e trabalho remoto impactam diretamente a vida coletiva e sindical da universidade.

Encerrando a mesa, Cláudio Fernandes refletiu sobre a estrutura multicampi dos institutos federais e criticou a lógica verticalizada das instituições. “A gente tem uma cultura muito, muito vertical. E a lógica da multicampia é para ser algo horizontal, totalmente diferente”, afirmou. O dirigente também defendeu a construção de experiências mais integradas e democráticas entre os diferentes campi e regiões.

Ao final do encontro, os debates reforçaram a importância da organização sindical de base, da defesa do financiamento público da educação e da construção de políticas específicas para as instituições multicampi, diante dos desafios enfrentados pela educação pública federal.

Texto: Assessorias de Imprensa ADUFPel e Aprofurg 

 

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O Grupo de Trabalho de Políticas de Classe Questões Étnico-Raciais Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) vai se reunir terça-feira, 12 de maio, às 11h, em formato híbrido (presencial e online).

- Informes;
- Relato reunião GTPCEGDS Nacional;
- Assuntos Gerais.

Quem tiver interesse na participação online ou necessitar de acessibilidade com intérprete de libras, basta preencher o formulário no link: https://tinyurl.com/gtpcegds2026apro

O link será enviado para quem se inscrever no formulário até terça-feira, 12 de maio, às 10h.

Comprometida com a acessibilidade, a APROFURG disponibiliza interpretação em Libras mediante solicitação com até 24 horas de antecedência.

A APROFURG é construída por quem participa. Venha fazer parte dos nossos Grupos de Trabalho.

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