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Prezados(as),
Ficam as docentes e os docentes sindicalizadas(os) da Universidade Federal do Rio Grande - FURG e IFRS - Campus Rio Grande convocadas(os) para a Assembleia Geral a ser realizada no dia 14 de setembro, segunda-feira, na sede da APROFURG, às 10h30, em primeira convocação, e, 11h em segunda convocação, com qualquer quórum para deliberar sobre a seguinte pauta:
- Escolha da Delegação para o 16º CONAD Extraordinário do ANDES-SN.
*Seguindo uma deliberação do 39º Congresso do ANDES-SN, as assembleias serão descentralizadas. As salas nos campi de Santo Antônio da Patrulha, Santa Vitória do Palmar e em São Lourenço do Sul serão divulgadas posteriormente.
Rio Grande, 10 de setembro de 2026.
Gustavo Borba de Miranda
Presidente

Nos dias 25 e 26 de setembro, será realizado o XXIX Encontro da Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN, em Porto Alegre e Canoas. O Encontro tem como objetivo central fortalecer a organização e a ação sindical no âmbito regional. Confira, abaixo, a programação da atividade:
25 de setembro (sexta-feira) – Porto Alegre: Sede da Regional Sul do ANDES-SN
18h30 – Mesa de Abertura
19h – Mesa 1: O projeto do ANDES-SN para a educação.
26 de setembro (sábado) – Canoas: Auditório Campus Canoas - IFRS
09h – Mesa 2: Organização sindical, questões políticas e financeiras do ANDES-SN
12h – Almoço
13h – Lançamento do filme: “Educação e ciência por um Brasil que dá certo”.
13h30 – Mesa 3: Condições de trabalho e saúde docente
16h – Mesa de Encerramento
16h30 – Coffee Break e Atividades Culturais
Inscrições até o dia 17/09 no link -> https://tinyurl.com/encontroregionalapro

A APROFURG - Seção Sindical do ANDES-SN promoveu, na tarde da última quinta-feira (3), em sua sede, a roda de conversa "A Plataformização do Trabalho e as Implicações na Carreira Docente", reunindo a comunidade docente da FURG e do IFRS - Campus Rio Grande, além de convidados, em torno de um tema que vem ganhando espaço crescente no debate sindical: o avanço das plataformas digitais e da lógica algorítmica sobre as relações de trabalho, e seus efeitos concretos sobre a carreira e a saúde docente. A atividade integrou a programação do sindicato voltada à formação política da categoria, com a proposta de que pensar a saúde e as condições de trabalho docente não se restrinja ao chamado Setembro Amarelo, mas seja compromisso permanente ao longo de todo o ano.
Para conduzir o debate, a APROFURG recebeu Amanda Moreira da Silva, da diretoria do ANDES-SN, professora da UERJ e pesquisadora do trabalho docente há mais de quinze anos. A abertura ficou a cargo da diretoria da APROFURG, que saudou a presença de companheiros vindos de Pelotas e destacou que, embora o encontro ocorra no chamado Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre saúde mental, para o sindicato pensar a saúde docente é tarefa de todos os meses do ano.
Amanda estruturou sua fala em quatro eixos: a precarização do trabalho no contexto tecnológico recente; o padrão dependente da educação superior brasileira e o colonialismo digital; as fases dessa dependência e seus efeitos sobre a carreira docente; e, por fim, os dados da Enquete Nacional sobre Condições de Trabalho e Saúde Docente, realizada pelo ANDES-SN.
A pesquisadora situou a plataformização como um fenômeno recente — nascido no Vale do Silício em 2009 e expandido globalmente em pouco mais de uma década —, mas fez questão de recusar qualquer leitura que a trate como algo inédito. A precarização do trabalho docente, lembrou, vem se aprofundando desde os anos 1990, com o desmonte de direitos trabalhistas em escala mundial e, no caso brasileiro, com a reforma do aparelho de Estado de 1995. Como país capitalista dependente, o Brasil carrega uma superexploração da força de trabalho que já era estrutural antes da chegada das plataformas — um conceito que a professora recuperou da teoria marxista da dependência, de Ruy Mauro Marini.
Ela também situou historicamente a expansão das universidades públicas: o REUNI, de 2007, ampliou o acesso, mas também aprofundou a precarização das condições de trabalho docente — um processo que já soma quase vinte anos e que, segundo Amanda, precisa ser compreendido nessa dimensão temporal para que se entenda o que as plataformas vêm "arrematar": maior controle, maior exigência e incentivo ao produtivismo.
Um dos pontos centrais da exposição foi a dependência das universidades brasileiras em relação às big techs — sobretudo Google, Amazon, Meta, Apple e Microsoft, o chamado GAFAM. Segundo dados do observatório Observação Vigiada, que reúne pesquisadores da Unicamp e de outras instituições, cerca de 78% a 79% das instituições de ensino superior da América do Sul utilizam serviços do GAFAM, proporção semelhante à observada no Brasil, com a Google em disparada vantagem. Amanda observou que esses serviços se apresentam como gratuitos, mas geram valor a partir da dataficação: são os dados de docentes e instituições que alimentam esse modelo de negócio, ampliado durante a pandemia.
Essa dependência tecnológica, argumentou, produz uma "compressão espaço-temporal": o trabalho passa a acontecer em qualquer lugar e a qualquer hora, mediado por aplicativos de mensagens que se tornaram extensão das mãos dos trabalhadores. Amanda propôs uma analogia direta com a pauta pela redução da jornada 6x1, hoje em debate no Congresso Nacional: "nós estamos na escala 7x0, porque não tem tempo de descanso".
A Enquete Nacional do ANDES-SN, inspirada na Enquête Ouvrière que Karl Marx elaborou em 1880 para investigar as condições de trabalho nas fábricas francesas, foi realizada em duas etapas: um projeto-piloto em 2023, com 11 instituições e 1.874 docentes, e uma segunda etapa em 2024-2025, que alcançou 144 instituições e 3.847 respondentes — 3.591 docentes ativos e 256 aposentados. O questionário, com 74 perguntas organizadas em oito blocos, foi pensado, segundo Amanda, não para levantar dados por levantar dados, mas para provocar a autorreflexão dos trabalhadores sobre sua própria rotina e contribuir para a mobilização coletiva.
Os números apresentados desenham um quadro de sobrecarga naturalizada: 68% dos docentes trabalham frequentemente ou sempre aos finais de semana; 57% mantêm atividades laborais durante feriados; 75% afirmam trabalhar além da carga horária prevista em seu regime de trabalho. Entre as mulheres, a sobrecarga é ainda mais acentuada — 88% relatam acumular significativamente mais orientações, além do peso do trabalho doméstico não remunerado, em comparação aos homens.
No recorte específico sobre hiperconectividade, 89,3% dos respondentes usam diariamente aplicativos de mensagens para fins profissionais e 81,8% resolvem demandas fora do horário regular de trabalho — sem que suas instituições disponibilizem qualquer equipamento ou aplicativo institucional para essa finalidade. Os impactos na saúde acompanham esse quadro: 51,8% relatam piora geral das condições de saúde no último ano, 67% atribuem o adoecimento diretamente às condições de trabalho, 35,4% relatam transtornos de ansiedade — incluindo síndrome do pânico e fobia social —, 52% relatam redução nas horas de sono e 41% apontam diminuição da prática de exercícios físicos. Um dado adicional chamou atenção: 13% dos respondentes LGBT afirmaram já ter sofrido discriminação frequentemente ou sempre no ambiente de trabalho.
Amanda fez questão de recusar qualquer leitura individualizante desse quadro: "o adoecimento tem que ser visto como uma causa coletiva, um problema coletivo, porque o sistema é adoecedor". Segundo ela, tratar o adoecimento como fraqueza pessoal é um erro de análise que culpabiliza justamente quem assume estar adoecido, enquanto normaliza o sofrimento de quem segue produzindo em silêncio.
Para aprofundar os dados quantitativos, Amanda apresentou também depoimentos colhidos em grupos focais realizados com docentes da UERJ, publicados em revista produzida durante sua gestão na direção da seção sindical daquela universidade. Uma professora com 27 anos de UERJ relatou o acúmulo de orientações em todos os níveis — da graduação ao doutorado — como algo que a fez enxergar o próprio grupo focal quase como "um espaço terapêutico". Outra docente, com dez anos de casa, descreveu o cotidiano universitário como um trabalho fragmentado em que cada unidade reclama isoladamente, sem que a categoria consiga se articular coletivamente. Um professor recém-chegado à universidade, com apenas dois anos de carreira, relatou ter trabalhado todos os dias de um feriado recente, dormindo poucas horas para dar conta de relatórios, projetos e artigos simultâneos.
Amanda também associou a sobrecarga à política de "bolsificação" das universidades — um sistema em que a perda de determinada bolsa pode significar a perda de metade da remuneração de um docente, empurrando a categoria para um ciclo de produtivismo permanente. Na UERJ, 67,8% dos docentes declararam possuir dívidas, financiamentos ou empréstimos, quadro agravado, segundo a professora, pelos anos sem recomposição salarial e pelo custo de vida da cidade.
A roda de conversa foi aberta à manifestação da plateia, e duas intervenções aprofundaram o debate. Uma professora chamou atenção para a valorização do comportamento multitarefa dentro do próprio sindicalismo — a ideia de que é possível assistir a uma palestra, preparar aula e responder demandas de trabalho ao mesmo tempo —, apontando que essa lógica também penetra as relações sindicais e dificulta o avanço da mobilização. Ela relatou observar, entre professores vindos da iniciativa privada, um estranhamento inverso: consideram a rotina acadêmica atual, incluindo o acúmulo de bolsas de valores muito superiores ao usual, "um paraíso" — evidência, segundo ela, de como a precarização acadêmica já é romantizada até por quem vem de fora.
Outra intervenção reforçou o ponto: o comportamento multitasking é hoje valorizado institucionalmente, mas tem custo cognitivo real, reduzindo a capacidade de problematização e favorecendo a aceitação passiva das condições de trabalho — um efeito que a colega classificou como "extremamente preocupante e desmobilizador".
Amanda dedicou parte final de sua fala à discussão sobre inteligência artificial generativa, tema que, segundo ela, o movimento sindical ainda debate de forma superficial — preso a questões de plágio e autoria, sem enfrentar a essência do processo: a dataficação, a perda de soberania tecnológica e a mercantilização financeirizada da educação, que já atingiu fortemente a educação básica e agora avança sobre o ensino superior. A professora citou a votação, esta semana, de um novo marco regulatório pelo Conselho Nacional de Educação, que dará às instituições doze meses para se adequar às normas de uso de IA — e que, na avaliação dela, trata o tema com "todo nível de superficialidade".
Seu alerta central foi sobre o discurso da facilitação: a ideia de que a IA "libera tempo" só seria verdadeira se o tempo economizado revertesse em descanso — e não, como de fato ocorre, em mais trabalho e mais hiperconexão. "Facilitando para quem?", questionou.
Amanda encerrou sua fala propondo três frentes de enfrentamento para o movimento sindical: no plano epistemológico, a necessidade de conhecer a fundo essa nova realidade para qualificar a intervenção política; no plano da soberania, a defesa de que dados educacionais sejam reconhecidos como públicos, com infraestrutura pública, uso de softwares livres e vedação ao uso de dados docentes para treinamento de modelos proprietários das big techs; e no plano do trabalho, a incorporação de novas pautas à negociação coletiva — luta contra critérios algorítmicos de avaliação de desempenho, redução da burocratização, defesa do tempo protegido, limites à jornada estendida por dispositivos digitais, fornecimento de equipamentos de trabalho pelas instituições e o direito à desconexão, já avançado em países europeus.
"Nós, trabalhadores e trabalhadoras, jamais podemos ter o discurso de que a IA está facilitando a minha vida", resumiu a professora, defendendo que a tecnologia deve estar a serviço da classe trabalhadora — e não da intensificação de sua exploração.

Um banco vazio costuma sugerir descanso, pausa, espera ou respiro. Mas, na entrada da sede da APROFURG - Seção Sindical do ANDES-SN, pintado de vermelho vivo, ele perde a função de mobiliário e passa a representar ausência.
A ausência de mulheres que não chegaram ao fim do dia. De avós, mães, filhas, colegas e amigas cujas vidas foram interrompidas de forma brutal pela violência de gênero — uma violência marcada, como destacou uma das falas do ato, pela "brutalidade que tem tomado conta da sociedade".
Foi para dar corpo a essa ausência que a APROFURG – lançou, nesta sexta-feira, 4 de setembro, às 9h30, em sua sede, o Banco Vermelho: um banco pintado na cor que simboliza o sangue das vítimas de feminicídio, gravado com a frase "Em memória de todas as que partiram, lutamos pelas que ficam".
Os números por trás do símbolo
O gesto não nasce no vazio. O Rio Grande do Sul concentra 38,8% das mortes por feminicídio de toda a região Sul e, enquanto a média nacional de crescimento foi de 4,7%, o índice no estado saltou 11,1% entre 2024 e 2025, somando 80 mortes confirmadas. Só nos três primeiros meses de 2026, o Rio Grande do Sul já registrava 27 feminicídios, aumento de quase 69% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em nível nacional, o país contabilizou 848 mulheres mortas por feminicídio entre janeiro e julho de 2026, número lembrado durante o ato pela professora Amanda Moreira da Silva, da diretoria do ANDES-SN.
Por trás de cada número, uma rede de desproteção: levantamentos apontam que a maior parte das vítimas não possuía registro de ocorrência policial prévio, e a esmagadora maioria não tinha nenhuma medida protetiva vigente no momento do crime. E a dor não se encerra na vítima: somente em 2025, os feminicídios no Rio Grande do Sul deixaram 116 órfãos, lembrete de que essa violência atravessa gerações.
A cerimônia
O lançamento reuniu o presidente da APROFURG, Gustavo Miranda, a vice-presidenta Angélica Miranda, além de professoras e professores da base do sindicato e convidadas e convidados, entre eles a professora Amanda Moreira da Silva (UERJ/diretoria do ANDES-SN).
Angélica Miranda abriu a cerimônia destacando o significado coletivo da iniciativa: "É uma homenagem às mulheres que lutam pelas suas causas, que acreditam no seu poder, na sua fala, na sua energia. É também o nosso posicionamento numa sociedade que nos desvaloriza, que nos desrespeita." A vice-presidenta lembrou ainda que o banco carrega a contribuição de várias mãos — da ideia à pintura, da escolha da frase à instalação da placa —, envolvendo funcionários e funcionárias, além de integrantes da diretoria.
A professora Júlia Matos, primeira secretária da APROFURG, situou a iniciativa numa perspectiva histórica: "As mulheres historicamente vêm passando por processos de violência. Temos aqui uma frase que remete diretamente à violência física, mas, acima disso, um processo social de violência que nos enjaula em diversas estruturas de sobrecarga." Ela associou o símbolo à realidade das professoras, submetidas a jornadas múltiplas de trabalho e cuidado: "Esse banco vem nos mostrar que, mais do que nunca, nossa luta sindical é por igualdade de direitos, mas também por igualdade na compreensão dos papéis de gênero."
Convidada para o lançamento, Amanda Moreira da Silva destacou a dimensão simbólica e coletiva do movimento, que já se espalha por diversas instituições: "O banco vermelho simboliza o sangue das mulheres assassinadas por feminicídio no Brasil e no mundo. É um convite à reflexão e um incentivo à denúncia." A professora da UERJ reforçou que a luta contra o feminicídio também precisa ser travada dentro do próprio movimento sindical: "Lutar pelas que ficam significa lutar também para que as mulheres permaneçam no ambiente sindical, porque muitas vezes somos expelidas do movimento por conta da violência de gênero que sofremos”.
O presidente Gustavo Miranda reforçou o caráter contraditório do momento — a necessidade de celebrar uma iniciativa que, idealmente, não deveria ser necessária: "O ideal mesmo era não precisar de um banco vermelho. Já é um absurdo essa violência no passado; ainda mais agora, no século XXI, com tanta tecnologia e conhecimento, ver essa violência aumentar”.
Participando remotamente, a primeira tesoureira, Itiara Veiga lembrou que a iniciativa nasceu de um trabalho coletivo, com a contribuição de funcionários(as) e integrantes da diretoria, e destacou o caráter de rede da campanha do Banco Vermelho, presente hoje em diversas universidades e instituições do país.
Um compromisso permanente
O Banco Vermelho não é um monumento de um dia. É peça permanente na sede do sindicato — um convite renovado, a cada passagem, ao compromisso coletivo com o respeito, proteção e a dignidade para todas.