A direção nacional do ANDES-SN, representada por seu presidente Antonio Gonçalves e pela secretária geral Eblin Farage, esteve nessa quarta-feira, 18, em reunião com o Grupo de Trabalho (GT) criado em março de 2019 pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para “acompanhar e avaliar o sistema universitário brasileiro”.

Esse GT é um desdobramento do grupo criado em 2018 para fazer uma análise da situação das Universidades e Institutos Federais, que teve seus trabalhos encerrados no início desde ano. O novo GT, formado por ex-reitores(as), como Roberto Salles (ex-reitor da UFF), que também preside a comissão, Eliane Superti (ex-reitora da UNIFAP),  Thompson Mariz (ex-reitor da UFCG) e Ana Lúcia Gazzola (ex-reitora da UFMG), trabalharão em quatro eixos centrais:

  • Gestão das instituições de ensino superior (IES);
  • Acesso, permanência e sucesso escolar;
  • Atividades de ensino, pesquisa e extensão; e
  • Compromissos da educação superior com a educação básica.

 

 

Perto de completar seis meses à frente do MEC, Abraham Weintraub conseguiu uma marca difícil de explicar para um ministro da Educação: não fez nenhuma visita a universidade ou instituto federal. É o que indica a agenda oficial do ministro no site do MEC desde 9 de abril, quando assumiu o cargo.

Também não existe notícia de que seu antecessor, Ricardo Vélez Rodriguez, tenha comparecido a algum campus federal. O fato de Vélez ter durado pouco mais de três meses como primeiro ministro do MEC do governo Bolsonaro até poderia ser uma desculpa. Mas insuficiente.
Cid Gomes foi ministro da Educação de Dilma Rousseff de 1º de janeiro de 2015 a 18 de março do mesmo ano. Menos de três meses, portanto. No período, visitou a UFRJ, a Federal do Pará, a Unifesp, a UnB e os institutos federais de São Paulo, do Pará e do Rio de Janeiro, entre outros campi, em rápido levantamento feito pela reportagem.

22/05 - Mais uma vez, Weintraub ataca as ciências humanas. Foto: Câmara

Depois dos cortes de 30% no orçamento das universidades e institutos federais, outros ataques podem recair diretamente sobre docentes e técnico-administrativos.

Entre eles, o corte salarial e a demissão de servidores públicos.

Presidente da Aduff relaciona novos cortes ao ‘Future-se’ e diz que governo Bolsonaro quer determinar que as pesquisas estejam atreladas aos interesses do mercado

Pela terceira vez no ano, o governo Bolsonaro corta recursos para o fomento à pesquisa, Ciência, Tecnologia e Educação.   A Capes anunciou o corte de 5613 bolsas de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado no país. O governo afirma que as bolsas em curso não serão interrompidas e diz ainda que espera economizar R$38 milhões em 2019 com as que não mais serão ofertadas.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, em oito meses de gestão, Bolsonaro extinguiu 11.811 bolsas de pesquisa financiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior, a Capes, que, teve R$300 milhões contingenciados este ano. Recentemente, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também anunciou a suspensão de novas bolsas e disse que os atuais bolsistas correm o risco de não receber os recursos a partir de setembro.

A medida inviabiliza a formação de novos pesquisadores e foi criticada pelo Andes-SN e pela Aduff-SSind. Em nota, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - Andes-SN afirma que, por baixo da justificativa pelo viés econômico - o governo quer inviabilizar a entrada e a permanência de estudantes cotistas e filhos da classe trabalhadora.

"No momento em que a Educação Superior mais expressa a diversidade do povo brasileiro, a partir das conquistas dos Movimentos Sociais com a implementação de políticas públicas, o Governo Federal, com um discurso preconceituoso e sem apresentar os dados reais relacionados ao orçamento da União, escolheu como inimigo a educação, promovendo um verdadeiro desinvestimento", diz trecho do documento.

Pela direção da Aduff, Marina Tedesco, presidente da seção sindical dos docentes da UFF, entende que o governo de Jair Bolsonaro demonstra a submissão do seu projeto de Brasil. “Esses novos cortes reforçam o que temos denunciado sobre o projeto deste governo para a educação antes mesmo de ele tomar posse: que o Brasil volte a ser um país absolutamente dependente e subserviente no que diz respeito à ciência e tecnologia”, disse.

Para ela, o governo Bolsonaro quer determinar que as pesquisas estejam atreladas aos interesses do mercado e não necessariamente voltadas para a sociedade. “O que está em jogo é um projeto de elitização da universidade. Este governo já afirmou que não é toda a população que tem que frequentar a universidade, e sim alguns poucos. Sem bolsa, nós sabemos que quem vai frequentar a pós-graduação no Brasil serão as pessoas com classe mais alta, brancas, em geral homens e que estão nas cidades maiores cidades do país”, considerou a docente.

Segundo Marina Tedesco, é preciso ainda relacionar esses novos cortes ao programa ‘Future-se’, que prevê a desresponsabilização do Estado com o financiamento da Educação pública tanto na graduação quanto na pós-graduação.

DA REDAÇÃO DA ADUFF | Por Aline Pereira

Em destaque, Abraham Weintraub, ministro da Educação do governo Bolsonaro/ Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Brasília-DF

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