Presidente da Aduff relaciona novos cortes ao ‘Future-se’ e diz que governo Bolsonaro quer determinar que as pesquisas estejam atreladas aos interesses do mercado

Pela terceira vez no ano, o governo Bolsonaro corta recursos para o fomento à pesquisa, Ciência, Tecnologia e Educação.   A Capes anunciou o corte de 5613 bolsas de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado no país. O governo afirma que as bolsas em curso não serão interrompidas e diz ainda que espera economizar R$38 milhões em 2019 com as que não mais serão ofertadas.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, em oito meses de gestão, Bolsonaro extinguiu 11.811 bolsas de pesquisa financiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior, a Capes, que, teve R$300 milhões contingenciados este ano. Recentemente, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também anunciou a suspensão de novas bolsas e disse que os atuais bolsistas correm o risco de não receber os recursos a partir de setembro.

A medida inviabiliza a formação de novos pesquisadores e foi criticada pelo Andes-SN e pela Aduff-SSind. Em nota, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - Andes-SN afirma que, por baixo da justificativa pelo viés econômico - o governo quer inviabilizar a entrada e a permanência de estudantes cotistas e filhos da classe trabalhadora.

"No momento em que a Educação Superior mais expressa a diversidade do povo brasileiro, a partir das conquistas dos Movimentos Sociais com a implementação de políticas públicas, o Governo Federal, com um discurso preconceituoso e sem apresentar os dados reais relacionados ao orçamento da União, escolheu como inimigo a educação, promovendo um verdadeiro desinvestimento", diz trecho do documento.

Pela direção da Aduff, Marina Tedesco, presidente da seção sindical dos docentes da UFF, entende que o governo de Jair Bolsonaro demonstra a submissão do seu projeto de Brasil. “Esses novos cortes reforçam o que temos denunciado sobre o projeto deste governo para a educação antes mesmo de ele tomar posse: que o Brasil volte a ser um país absolutamente dependente e subserviente no que diz respeito à ciência e tecnologia”, disse.

Para ela, o governo Bolsonaro quer determinar que as pesquisas estejam atreladas aos interesses do mercado e não necessariamente voltadas para a sociedade. “O que está em jogo é um projeto de elitização da universidade. Este governo já afirmou que não é toda a população que tem que frequentar a universidade, e sim alguns poucos. Sem bolsa, nós sabemos que quem vai frequentar a pós-graduação no Brasil serão as pessoas com classe mais alta, brancas, em geral homens e que estão nas cidades maiores cidades do país”, considerou a docente.

Segundo Marina Tedesco, é preciso ainda relacionar esses novos cortes ao programa ‘Future-se’, que prevê a desresponsabilização do Estado com o financiamento da Educação pública tanto na graduação quanto na pós-graduação.

DA REDAÇÃO DA ADUFF | Por Aline Pereira

Em destaque, Abraham Weintraub, ministro da Educação do governo Bolsonaro/ Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Brasília-DF

22/05 - Mais uma vez, Weintraub ataca as ciências humanas. Foto: Câmara

Depois dos cortes de 30% no orçamento das universidades e institutos federais, outros ataques podem recair diretamente sobre docentes e técnico-administrativos.

Entre eles, o corte salarial e a demissão de servidores públicos.

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