
Chapa 1 – Luta e Diversidade e Chapa 2 – APROFURG em Movimento e Luta! discutiram trabalho docente, universidade pública e ação sindical. A votação acontece nos dias 20 e 21 de outubro.
A APROFURG realizou, na última sexta-feira (16), em sua sede, o debate entre as duas chapas inscritas no processo eleitoral para a diretoria da gestão 2026-2028. Pela Chapa 1 – Luta e Diversidade, participaram Angélica Miranda, Tiago Dziekaniak e Itiara Veiga. Pela Chapa 2 – APROFURG em Movimento e Luta!, participaram César Beras, Adriana Fraga e Darciele Menezes. O encontro, que teve público presencial, foi transmitido ao vivo pelo YouTube.
A mesa foi conduzida pela Comissão Eleitoral, formada por Gustavo Borba de Miranda (presidente), Júlia Matos e Rodolfo Caparelli. Segundo o regramento, assinado pelas duas chapas, o debate teve três blocos temáticos, com perguntas da Comissão e perguntas feitas entre as chapas, em formato de pergunta, resposta, réplica e tréplica. A ordem das respostas foi sorteada e depois alternada. Como o formulário aberto às(aos) sindicalizadas(os) não recebeu perguntas, a Comissão propôs, e as chapas aceitaram, uma rodada adicional de perguntas entre as candidaturas em cada bloco.
Tema 1: Trabalho docente, carreira e condições de trabalho
Questionadas sobre as prioridades do sindicato diante de uma possível reforma administrativa e da precarização, as chapas apontaram a mobilização da base como caminho. Para a Chapa 2, a resposta passa por ir às unidades e ouvir a categoria. “Nós queremos fazer desta APROFURG uma APROFURG de lutas. E, para isso, a gente tem que mobilizar e lutar”, afirmou um integrante da chapa. Sobre o adoecimento docente, outro integrante disse que “o adoecimento não é um problema psicológico de cada colega, o adoecimento é um problema coletivo da falta de condições de trabalho”.
A Chapa 1 destacou que a luta se constrói de forma coletiva e que a categoria já se uniu em mobilizações recentes. “A luta se faz na prática, no dia a dia e na união”, disse uma integrante. Outro integrante citou a plataformização como “uma engrenagem que, hoje, está sequestrando o nosso trabalho e, principalmente, o nosso tempo”.
Nas perguntas entre as chapas, a Chapa 1 questionou a ênfase do programa da Chapa 2 na interlocução com a reitoria, diante de temas como a carreira única e a paridade com aposentadas(os). A Chapa 2 respondeu que o papel do sindicato é lutar, não negociar, e que pretende pautar a reitoria. A Chapa 2, por sua vez, perguntou à Chapa 1 por que e para que se colocava à disposição. A Chapa 1 respondeu citando os grupos de trabalho formados desde a greve de 2024, e a Chapa 2 explicou que construiu seu programa coletivamente, com cerca de 80 pessoas, antes de definir os nomes.
Tema 2: Universidade pública, ciência, inovação e compromisso social
Diante de uma pergunta sobre inteligência artificial e mercantilização da ciência, a Chapa 1 defendeu o debate ético e a regulamentação. “As pessoas vêm antes das tecnologias”, afirmou um integrante. Na pergunta feita à Chapa 2, a chapa se posicionou por “uma ciência pública e cidadã, que combate essa lógica que transforma o nosso conhecimento produzido em ativo de mercado”.
A Chapa 2 propôs discutir o custo humano da inovação. “Inovação para quem e a qual custo?”, questionou um integrante. Outro afirmou: “Não seremos nós os ludistas a sair quebrando as máquinas.” Ao responder sobre ciência socialmente referenciada, a Chapa 2 citou as diretrizes do Caderno 2 do ANDES-SN sobre financiamento público.
Houve convergência de que o subfinanciamento leva docentes a recorrer a emendas parlamentares e editais. A Chapa 1 disse que isso é, muitas vezes, a alternativa para manter atividades de ensino, pesquisa e extensão. A Chapa 2 afirmou que não demoniza colegas, mas que o modelo fragiliza a luta pelo financiamento público. As duas chapas também trataram da atualização do Caderno 2: a Chapa 1 defendeu incluir temas ausentes, como o enfrentamento ao racismo e ao machismo, e a Chapa 2 afirmou que os princípios do caderno seguem atuais.
Tema 3: Ação sindical, democracia e desafios nacionais
A Chapa 2 resumiu sua estratégia para ampliar a base em “olho no olho, pé no território”, dizendo que visitou os campi da FURG e o IFRS - campus Rio Grande. “Não adianta reconhecer e ser sensível sem ação”, afirmou outra integrante. A Chapa 1 destacou os grupos de trabalho e as atividades culturais e de formação realizadas em 2026. “Uma diretoria do sindicato não atua sozinha”, disse uma integrante. Sobre a multicampia, outra completou: “Nós precisamos debater a Multicampi e defender a Multicampi, e essa tem que ser a nossa práxis.”
A Chapa 1 perguntou por que a Chapa 2 propõe comissões de apoio à diretoria, e não o fortalecimento dos GTs. A Chapa 2 respondeu que as comissões não serão tuteladas e que servirão para ouvir a base. A Chapa 2 perguntou à Chapa 1 quais critérios adotará no uso dos recursos da entidade. A Chapa 1 apresentou a gestão financeira atual e a deliberação em assembleia. A Chapa 2 reforçou a defesa de maior transparência nos critérios, discutidos com a base, e a Chapa 1 citou a proposta de um orçamento anual.
Considerações finais
A Chapa 1 apresentou-se como chapa independente e assumiu o compromisso de estudar alternativas à contribuição sindical sobre o 13º salário. “A nossa força vem da base, o nosso compromisso é com a categoria”, afirmou uma integrante. A Chapa 2 reafirmou a integração das(os) aposentadas(os), a valorização da multicampia e o trabalho com novos docentes. “Ganha quem ganhar, não existe nem ganhar e nem perder aqui, existe uma disputa de ideias”, disse um integrante.
Eleições
As eleições para a diretoria da APROFURG acontecem nos dias 20 e 21 de outubro, das 8h às 20h. A contagem dos votos e a proclamação da gestão 2026-2028 estão previstas para a sexta-feira, 23. Confira as urnas:
- Urna 1: Centro de Convivência
- Urna 2: Escola de Enfermagem (hall de entrada do prédio)
- Urna 3: Faculdade de Medicina (hall de entrada do prédio novo)
- Urna 4: IFRS – Campus Rio Grande (hall de entrada do prédio principal)
- Urna 5: Campus de São Lourenço do Sul (hall de entrada do prédio principal)
- Urna 6: Campus de Santo Antônio da Patrulha (hall de entrada do prédio principal)
- Urna 7: Campus de Santa Vitória do Palmar (hall de entrada do prédio principal)

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