Docentes diversos estados do país participaram da maior instância deliberativa do Sindicato Nacional e definiram o plano de lutas para o ano de 2026

A capital baiana, Salvador, fundada em 1549 recebeu entre os dias 02 e 06 de março, docentes de 93 seções sindicais de todo o país, para o maior e mais importante evento deliberativo do Sindicato Nacional, o 44º Congresso do ANDES-SN. O evento foi organizado pela Regional Nordeste III do Sindicato Nacional e pela Comissão Organizadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), formada pelo Coletivo Democracia e Luta, e teve como tema central “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”. 

Neste ano de 2026  em que o Sindicato Nacional completa 45 anos de lutas e conquistas, esse foi o primeiro Congresso da entidade organizado por uma oposição sindical - o Coletivo Democracia e Luta da UFBA. O evento contou com apresentações artísticas e culturais, que destacaram a força e resistência do povo baiano e dialogaram com as pautas de luta da categoria. O Congresso reuniu mais 640 professores e professoras de todo o país, representantes de 93 seções sindicais, e reafirmou: Só o ANDES-SN representa as e os docentes!

A programação sempre intensa e extensa, durante os 5 dias, contou com plenárias temáticas, grupos mistos de trabalho e diversas apresentações culturais. O Congresso aprovou um conjunto de deliberações voltadas à mobilização da categoria docente e à defesa da educação pública. Entre as principais decisões está a manutenção da pressão pelo cumprimento integral do acordo de greve, além da mobilização contra a PEC 38/2025. Também foi reafirmada a defesa da autonomia das universidades federais e o respeito ao resultado das consultas públicas para escolha de reitores e reitoras. Outro ponto destacado foi o apoio à luta pelo fim da escala 6x1 e pela implementação da jornada de 30 horas semanais sem redução salarial, além do fortalecimento da solidariedade internacional e do lançamento do Caderno 29 do ANDES-SN, que aborda o PROIFES.

No campo da mobilização sindical, foi deliberada a continuidade e a intensificação da luta contra a reforma administrativa, com a construção de uma frente ampla junto ao conjunto do funcionalismo público para barrar retrocessos nos serviços públicos. O congresso também aprovou o fortalecimento da Conedep e a avaliação da participação do ANDES-SN no Fórum Nacional de Educação (FNE). Ainda no plano organizativo, foi definida a realização de um Conad Extraordinário em novembro de 2026, que terá como pauta central o debate sobre questões organizativas e financeiras do sindicato.

As resoluções também reforçam compromissos políticos e sociais da entidade. O ANDES-SN reafirmou sua posição anti-imperialista, manifestando apoio à soberania dos povos venezuelano, cubano, iraniano e palestino, e confirmou participação em mobilizações internacionais, como as atividades do 1º de maio em Cuba e na Flotilha da Liberdade contra o bloqueio dos Estados Unidos ao país. O congresso também destacou a luta contra o feminicídio, o capacitismo e o racismo, bem como a defesa das populações quilombolas, ribeirinhas e camponesas, o combate às fraudes no sistema de cotas em concursos públicos e a garantia de inclusão de docentes surdos e surdas nos espaços universitários e sindicais.

A apresentação cultural escolhida para abrir os trabalhos de luta do ANDES-SN foi o grupo de ogãs da casa de Oxumarê que nasceu no terreiro dedicado a Oxumarê, no ano de 2025, como expressão de fé, resistência e afirmação cultural. Formado por jovens negros politizados, o coletivo une espiritualidade e consciência social, fortalecendo os valores da tradição afro-brasileira dentro e fora do espaço sagrado. Com profundo respeito aos ensinamentos ancestrais, o grupo atua nos rituais da casa, entoando seus toques sagrados e preservando a musicalidade que sustenta o culto aos orixás. Em seguida, a liderança jovem do povo Tupinambá de Abrantes e estudante de licenciatura em artes visuais pela escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, Thiago Tupinambá realizou a apresentação cultural:  Cantada indígena.

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PLENÁRIA DE ABERTURA

A plenária de abertura do 44º Congresso do ANDES-SN reuniu representantes da universidade, do movimento sindical, estudantil, de organizações da sociedade civil e de entidades do movimento negro. Durante as falas, foi destacada a mobilização das trabalhadoras e dos trabalhadores técnico-administrativos da UFBA, que anunciaram a retomada da greve a partir de 5 de março, como parte da paralisação nacional da Fasubra. A categoria cobra o cumprimento integral do Termo de Acordo nº 11/2024, que prevê reestruturação da carreira, mudanças na progressão, criação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e a unificação da matriz remuneratória.

Também foram ressaltadas as recentes mobilizações da comunidade universitária da UFBA, incluindo assembleias históricas durante a greve docente de 2024, a desfiliação do sindicato local da Proifes-Federação e a participação no plebiscito popular contra a escala 6x1. Em sua intervenção, o presidente do ANDES-SN destacou o cenário de aprofundamento das desigualdades sociais e os ataques aos direitos da classe trabalhadora e ao serviço público, defendendo a organização e a unidade das categorias para enfrentar projetos como a Reforma Administrativa e fortalecer a luta em defesa da educação pública e da democracia.

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LANÇAMENTOS

O ANDES-SN apresentou, na Plenária de Abertura do 44º Congresso, diversos materiais que servirão para instrumentalizar as ações do Sindicato Nacional e suas seções sindicais, fortalecer as entidades e subsidiar a categoria ao longo de 2026. As publicações foram distribuídas durante o evento, disponibilizadas no site do Sindicato Nacional e enviadas às seções sindicais.

Foi lançada a edição 77 da revista Universidade e Sociedade, com o tema “Educação Pública em Movimento: resistências e desafios da multicampia e em regiões de fronteira”.

A publicação reúne 12 artigos, entre eles uma contribuição internacional que aborda as lutas em defesa da educação e os movimentos de resistência nos Estados Unidos ao longo dos últimos 20 anos contra a nova direita. A edição também traz uma reportagem fotográfica sobre as mobilizações em defesa de salários e condições de trabalho nas universidades estaduais, municipais e distrital.

Um destaque apontado por Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN e uma das integrantes da diretoria executiva da revista, foi o avanço na classificação da revista no sistema Qualis Periódicos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), alcançando a classificação A3 no quadriênio 2021-2024.

A avaliação reconhece o trabalho editorial desenvolvido, mesmo diante das contradições e pressões do produtivismo acadêmico. “Nesse sentido, a revista se consolida como um importante instrumento de disputa política e acadêmica em defesa do conhecimento público no Brasil”, disse a diretora do ANDES-SN.

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PLENÁRIA TEMA I

A primeira Plenária temática do 44º Congresso, na noite do dia 2 de março, trouxe a Conjuntura e o Movimento Docente para o debate na UFBA, em Salvador.

O espaço serviu para analisar o cenário da época, além de discutir o movimento docente e as políticas para a educação. Ao todo, 15 textos foram apresentados às(aos) docentes e convergiram na análise de uma conjuntura marcada pela crise estrutural do capitalismo, pelo avanço da extrema direita, pela ofensiva imperialista e pelo aprofundamento das políticas neoliberais. As contribuições apresentaram diferentes ênfases, mas reafirmaram a centralidade da organização sindical classista e da mobilização docente como instrumentos de enfrentamento.

As análises de conjuntura apontaram a intensificação da precarização do trabalho, os ataques aos serviços públicos e à educação superior, além da ampliação da austeridade fiscal. Parte significativa dos textos sustentou que o sindicalismo deveria manter independência em relação a governos e partidos, defendendo autonomia política e organizativa para enfrentar tanto governos alinhados ao capital quanto à extrema direita.

O debate sobre o imperialismo ocupou a posição central. Diversos textos denunciaram a ofensiva dos Estados Unidos e de potências centrais sobre a América Latina, com destaque para a solidariedade à Venezuela e à resistência dos povos latino-americanos. A defesa da soberania nacional e da integração regional apareceu articulada à luta contra o capital financeiro internacional.

A crítica ao neoliberalismo e à fascistização da política também foi recorrente. As teses defenderam que o movimento docente precisava ampliar sua inserção social, fortalecer a base e retomar mobilizações de rua, articulando-se com outros setores da classe trabalhadora. Houve, ainda, o chamado à construção de frentes únicas anti-imperialistas e à consolidação de um sindicato democrático, de massas e combativo.

Algumas contribuições aprofundaram o debate programático, como a defesa do ecossocialismo como alternativa ao colapso ambiental e social do capitalismo, propondo uma transformação estrutural que articulasse justiça social e sustentabilidade.

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GRUPOS MISTOS

O segundo dia do 44º Congresso do ANDES-SN, 3 de março, foi inteiramente dedicado aos grupos mistos de trabalho, com a divisão das(os) professores(as) em 12 grupos mistos.Os grupos mistos ocupam um papel estratégico na dinâmica do Congresso. É nesse espaço que as/os participantes se organizaram em pequenos grupos para debater todos os temas, aprofundando as posições construídas nas assembleias das seções sindicais e definindo as propostas que seguiram para as plenárias.

Como todos os grupos analisaram os temas II, III e IV, os encaminhamentos passaram por uma consolidação prévia que sustentou as deliberações finais. É uma etapa intensa, que demandou longas horas de dedicação dos(as) participantes na sistematização dos debates. O resultado desse acúmulo foi levado às plenárias deliberativas, a partir do terceiro dia de evento, 4 de março.

PLENÁRIA TEMA II

Durante o 44º Congresso do ANDES-SN, realizado na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, a plenária do Tema II debateu e aprovou, entre os dias 4 e 5 de março, um conjunto de ações estratégicas que orientarão a mobilização docente em 2026. A abertura dos trabalhos contou com uma apresentação do coletivo Slam das Minas Bahia, que celebrou nove anos de atuação e anunciou o lançamento da cartilha “Slam de Poesia: produção, escrita e performance”. A mesa foi presidida por Luciana Henrique da Silva, com apoio de dirigentes de diferentes regionais do sindicato.

No âmbito das instituições estaduais, municipais e distritais de ensino superior, as delegadas e os delegados aprovaram um calendário de mobilizações para fortalecer a nacionalização das pautas do setor e enfrentar a precarização das universidades. Entre as deliberações está a realização da tradicional Semana de Lutas do setor em maio e do XXII Encontro das Iees, Imes e Ides no segundo semestre, espaço destinado ao aprofundamento de debates sobre financiamento e políticas para essas instituições. Também foi aprovada a ampliação dos estudos sobre o endividamento dos estados e seus impactos no financiamento da educação pública.

A plenária reafirmou ainda a defesa da autonomia universitária e aprovou um dia nacional de luta pelo fim da lista tríplice nas instituições estaduais, municipais e distritais. O plano de lutas inclui a mobilização contra o arcabouço fiscal e as políticas de austeridade, com a defesa da destinação de, no mínimo, 10% do PIB para a educação pública. Também foram aprovadas iniciativas como a continuidade da campanha “Universidades Estaduais, Municipais e Distritais: Quem conhece defende”, além da defesa de políticas de ações afirmativas em concursos públicos, incluindo cotas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e para docentes trans e travestis.

No que diz respeito às instituições federais de ensino, a plenária aprovou um conjunto de ações de mobilização em unidade com outras entidades do funcionalismo público, como Sinasefe e Fasubra. Entre as prioridades estão a cobrança pelo cumprimento do Acordo de Greve nº 10/2024, a luta contra a Reforma Administrativa (PEC 38/2025) e a defesa do serviço público. Também foram deliberadas ações contra medidas de controle do trabalho docente, campanhas pela recomposição orçamentária das instituições federais e estudos sobre carreira, redistribuição docente e os impactos de políticas como o Reconhecimento de Saberes e Competências no magistério federal.

ATO COLETIVO NEGRAS E NEGROS DO ANDES-SN

Os atos, apesar de não fazerem parte da programação oficial dos Congressos e Conads sempre marcam a posição da categoria sobre os mais diversos temas. Na Bahia, em Salvador, não poderia ser diferente.

As(os) docentes negras e negros do ensino superior e da Educação Básica, Técnica e Tecnológica (EBTT) divulgaram uma carta pública denunciando o racismo estrutural presente nas universidades e nas próprias instituições sindicais. No documento, o coletivo afirmou que concursos públicos, editais e bancas avaliadoras ainda reproduzem desigualdades raciais ao desconsiderarem trajetórias marcadas por desigualdades sociais e raciais. A carta também destacou que, apesar dos avanços legais, as universidades e o sindicato permanecem majoritariamente brancos, resultado de um processo histórico que ainda precisa ser enfrentado.

O texto denunciou o descumprimento recorrente da Lei 12.990/2014, que garante a reserva de vagas para pessoas negras em concursos públicos federais. Segundo o coletivo, muitas instituições têm ignorado ou esvaziado a aplicação da lei por meio de interpretações administrativas que fragmentam ou retiram vagas destinadas à população negra. Para os docentes, essa prática evidencia o racismo institucional e provoca impactos concretos nas trajetórias profissionais, interrompendo carreiras acadêmicas e reduzindo a presença de professores e pesquisadoras negras nas universidades.

Na carta, o coletivo também reivindicou medidas concretas de enfrentamento ao racismo, como concursos que garantam efetivamente as ações afirmativas, formação antirracista nas instituições e protocolos de acolhimento e proteção para vítimas de discriminação. O documento afirmou ainda que a luta antirracista fortalece o próprio sindicato e reafirma o compromisso de ampliar a presença de docentes negras e negros nas instâncias de decisão. Ao final, o coletivo destaca que continuará denunciando o racismo e ocupando espaços de debate e decisão nas universidades e no movimento sindical.

ATO LGBTI+

Mais um ato, desta vez do coletivo LGBTI+ do ANDES-SN ocorreu no 44º Congresso do ANDES-SN. Diversas(os) docentes realizaram falas destacando a importância da organização e da luta coletiva das pessoas LGBTQIAPN+ dentro do movimento sindical e das universidades, ressaltando o compromisso do ANDES-SN com políticas públicas voltadas a esse público, especialmente para pessoas trans e travestis. O discurso celebrou avanços, como a existência de cotas para pessoas trans em diversas universidades federais e estaduais, e defendeu a ampliação dessas políticas também para a pós-graduação e concursos públicos.

Além disso, as(os) docentes enfatizaram que as pautas de gênero e sexualidade devem ser tratadas de forma transversal e interseccional, articuladas às lutas antirracistas e feministas, diante de ataques e tentativas de censura dessas discussões na educação. Por fim, convocaram as(os) docentes, especialmente Cisgênero e heterossexuais, a se somarem à luta por meio do letramento em gênero e sexualidade, utilizando os materiais produzidos pelo GTPCEGDS e apoiando a presença e a voz de pessoas LGBTQIAPN+ nos espaços de decisão do sindicato. 

Uma moção apresentada pelo Coletivo LGBTI+ do ANDES-SN durante o 44º Congresso do ANDES-SN, em Salvador, defendeu o reconhecimento do combate à LGBTfobia como tema urgente e transversal nas discussões sobre carreira docente, condições de trabalho e organização sindical. O documento destacou o aumento de ataques da extrema direita, especialmente em ano eleitoral, que intensificam violências e discriminações contra pessoas LGBTI+, inclusive dentro das instituições de ensino e espaços sindicais. A moção também denunciou práticas de silenciamento e deslegitimação de docentes LGBTI+ nas instâncias deliberativas e reforçou a necessidade de que o sindicato incorpore o enfrentamento à LGBTfobia em suas resoluções, planos de luta e processos de formação política, convocando toda a base a atuar como aliada na construção de um movimento sindical democrático, plural e comprometido com a superação das desigualdades.

COLETIVO DOCENTES EM MULTICAMPIA

Durante o 44º Congresso do ANDES-SN, realizado em Salvador, foi instituído o Coletivo Docentes em Multicampia, com o objetivo de fortalecer o debate e a organização sindical das e dos docentes que atuam em instituições com estrutura multicampi e em regiões de fronteira.

A primeira reunião ocorreu na segunda-feira, dia 2 de março, e contou com a participação das docentes Itiara Veiga e Marcia Umpirre. No encontro, foram analisadas os Textos de Resolução (TRs) vinculados ao Grupo de Trabalho de Multicampia e Fronteira, além da troca de experiências sobre os desafios enfrentados nas diferentes realidades regionais.

O coletivo nasce com a proposta de criar um espaço permanente de diálogo e articulação, capaz de reunir docentes de distintas seções sindicais para discutir as especificidades da atuação na multicampia e nas áreas de fronteira. A iniciativa busca considerar as particularidades territoriais, sociais e institucionais que impactam o exercício da docência, promovendo a construção de pautas que contemplem essas realidades.

Entre os encaminhamentos debatidos, destacou-se a defesa do adicional de penosidade para docentes que atuam em regiões de fronteira, reconhecendo as condições diferenciadas e, muitas vezes, mais adversas de trabalho. Também foram discutidas as demandas das seções sindicais em contexto multicampi. Pautando ainda as necessidades de melhor estrutura e suporte institucional para o desenvolvimento das atividades acadêmicas nas universidades, Ifs e Cefets.

Outro ponto central foi a garantia de condições adequadas para a pesquisa, tanto no que se refere à infraestrutura quanto ao incentivo à produção científica voltada às necessidades regionais, reafirmando o compromisso com uma universidade pública e socialmente referenciada.

O novo coletivo não substitui nem concorre com os Grupos de Trabalho já existentes no sindicato. Ao contrário, surge como instrumento complementar, ampliando os espaços de participação e fortalecendo a mobilização da categoria, ao agregar mais docentes à luta sindical e qualificar o debate sobre a multicampia no âmbito do ANDES-SN.

PLENÁRIA TEMA III 

No último dia do 44º Congresso do ANDES-SN, realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, docentes aprovaram importantes resoluções do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), durante a plenária do Tema III – Plano Geral de Lutas. Entre as principais deliberações está a garantia de direitos linguísticos para professoras e professores surdos, com medidas voltadas à ampliação da acessibilidade nas atividades acadêmicas e sindicais. A plenária foi conduzida por João Claudino Tavares, com participação da diretoria nacional do sindicato.

As resoluções aprovadas determinam que o sindicato e suas seções cobrem das instituições de ensino superior a presença de intérpretes de Libras e condições adequadas de trabalho para docentes surdos em todas as áreas da vida acadêmica. Também foi deliberada a defesa da contratação de Tradutores e Intérpretes de Libras por concurso público e a denúncia da falta de acessibilidade como obstáculo à progressão na carreira, combatendo práticas capacitistas. As decisões incluem ainda a ampliação da acessibilidade nas atividades sindicais e o fortalecimento do apoio jurídico a docentes responsáveis por famílias atípicas, garantindo direitos como a redução da jornada sem prejuízos na carreira.

O congresso também aprovou medidas de enfrentamento às violências de gênero, ao racismo e à discriminação nas instituições de ensino. Entre elas estão a implementação do protocolo de combate ao assédio moral e sexual, racismo e LGBTfobia nas universidades, além de campanhas contra o feminicídio e um ato nacional previsto para 25 de novembro de 2026. As resoluções reafirmam ainda o compromisso com a educação antirracista, a defesa das políticas de cotas — incluindo para pessoas trans e travestis —, o combate à xenofobia e a ampliação de políticas de permanência estudantil, consolidando a diversidade e a inclusão como eixos centrais do plano de lutas da categoria docente.

 

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CADERNO 29

Também durante a programação do evento ocorreu o lançamento do Caderno 29, "Memória e Luta - Só o ANDES-SN nos representa" produzido pelo Grupo de Trabalho de Política de Organização Sindical das Oposições (GTO).

Um material que critica a atuação da federação Proifes e resgata mais de duas décadas de disputas com o ANDES-SN. A publicação lembra que a federação realizou tentativas de organizar bases sindicais paralelas e promoveu ações consideradas de divisão dentro do movimento docente. Em 2025, ocorreram episódios na Bahia, no Ceará e em São Paulo em que representantes da federação tentaram intervir em assembleias e estruturas sindicais ligadas ao SINASEFE e ao ANDES-SN, gerando conflitos e mobilizações de professores contrários às iniciativas

O caderno também cita episódios em instituições federais da Bahia, do Ceará e em Pirassununga (SP), onde reuniões e assembleias ocorreram com restrições de acesso e presença de segurança privada, impedindo a participação de parte dos docentes. O texto acusa ainda a Proifes de promover campanhas de desinformação nas redes sociais contra o ANDES-SN, enquanto afirma que o ANDES-SN é o único sindicato nacional legítimo da categoria e responsável pela defesa da educação pública e dos direitos de docentes das universidades e institutos federais.

CONAD EXTRAORDINÁRIO
No quarto dia do 44º Congresso do ANDES-SN, realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, as e os docentes avançaram na aprovação de resoluções do Plano Geral de Lutas, reafirmando o caráter classista e internacionalista da entidade. Na tarde da quinta-feira, 5 de março, os debates abordaram ações estratégicas para o enfrentamento ao imperialismo, aos ataques da extrema direita à categoria docente e para a resistência contra o desmonte dos serviços públicos, entre outros.

A plenária referendou ainda a realização de um Conad Extraordinário em 2026 para aprofundar o debate sobre questões organizativas, administrativas, financeiras e políticas do Sindicato Nacional. A estrutura, pauta, período de realização e outras especificações serão debatidas no dia 6 de março, durante as discussões do Tema IV, que trata das questões organizativas e financeiras.

“O debate do nosso plano geral de lutas se iniciou com o GTPFS, que tinha como um dos eixos a aprovação de um Conad extraordinário para que nós possamos debater as nossas questões organizativas e financeiras, que vieram do último Seminário Nacional do GTPFS, mas também veio como deliberação do Conad anterior [68º]. Então, aprovando nesta plenária, isso nos permite que, na plenária do Tema 4, nós possamos aprofundar o debate sobre o seu formato, o que vai ser pautado, mas lembrando dos temas principais que já foram penteados nos grupos, como o fundo único, rateio, formas de eleições dentro do Sindicato Nacional, entre outros. Tudo isso numa expectativa de ampliar a democracia interna do sindicato”, explicou a 3ª vice-presidenta do ANDES-SN.

PRÓXIMA SEDE 

A cidade de Curitiba (PR) será a sede do 45º Congresso do ANDES-SN. Única candidatura apresentada, a capital foi aprovada, na noite da sexta-feira, 6 de março, por ampla maioria das delegadas e dos delegados presentes no 44º Congresso do Sindicato Nacional, durante a plenária do Tema IV – Questões Organizativas e Financeiras. A candidatura foi defendida pela direção da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR- Seção Sindical do ANDES-SN). 

Segundo Luiz Allan Kunzle, diretor administrativo da seção sindical, construir o Congresso do ANDES-SN é um desafio coletivo que exige diálogo, consenso e articulação entre diferentes campos políticos da categoria. “A complexidade dos debates e da conjuntura tem crescido. Após muitas discussões, chegamos a um acordo e apresentamos esta proposta. Esse coletivo reúne diferentes campos políticos e mostra que é possível construir consensos de forma coletiva. Depois de anos afastados do debate nacional, recuperamos o sindicato, fruto da última greve. Conquistas recentes, como a nova diretoria do Sindiedutec, também contaram com a participação desse coletivo. Esse conjunto de avanços nos encoraja a seguir juntos no desafio de construir o Congresso”, afirmou.

Durante a plenária, também foram aprovadas ratificações, declarações de nulidade e novas alterações regimentais de seções sindicais. As e os docentes ainda se manifestaram favoráveis à manutenção e ampliação de apoios financeiros à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), à Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), ao Casarão da Luta do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e à Secretaria Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

No âmbito do Fundo Único – Fundo Nacional de Solidariedade, Mobilização e Greve do ANDES-SN, foi autorizada a ordenação de despesas pela diretoria do Sindicato Nacional para garantir o custeio de atividades de mobilização, campanhas, marchas e eventos definidos pelo 44º Congresso como centrais na luta da entidade. Também foi autorizado que o 69º Conad aprecie e delibere sobre os custeios de mobilização e de luta para o segundo semestre de 2026. 

NÚMEROS 44º CONGRESSO

O 44º Congresso do ANDES-SN evidenciou a dimensão e a representatividade da entidade ao reunir delegações de todo o país. O evento contou com a participação de 91 seções sindicais, além de duas entidades convidadas, totalizando 461 delegadas e delegados — número que, somado ao presidente do sindicato, chegou a 462 participantes com direito a voz nas atividades. O quórum estabelecido para as deliberações foi de 232 pessoas. Também estiveram presentes 145 observadoras e observadores, 14 convidados, três acompanhantes e 14 crianças. A estrutura do congresso ainda contou com o trabalho de 34 diretoras e diretores do ANDES-SN, 23 integrantes da Assessoria de Comunicação e seis profissionais da Assessoria Jurídica, reforçando a organização e a amplitude do encontro nacional.

DELEGAÇÃO DA APROFURG

A APROFURG - Seção Sindical do ANDES-SN esteve presente no evento com a representatividade de 8 docentes, entre diretoria e base do sindicato: Simone Alvarez, Milton Paiva, Marcia Umpierre, Gustavo Borba, Magda Vicente, Itiara Veiga, Denise Sena, Tiago Dziekaniak.

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