APROFURG PARTICIPA DOS GRUPOS MISTOS NO 38 CONGRESSO DO ANDES-SN

O 38º Congresso do ANDES-SN chegou ao seu terceiro dia com muitas atividades na cidade de Belém do Pará. Depois das plenárias de abertura e de instalação, além da extensa discussão do Tema 1 “Movimento Docente, Conjuntura e Centralidade da Luta”, os grupos mistos ganharam destaques na programação do evento. Nos dias 29 e 30 de janeiro aconteceram extensos debates no prédio Mirante do Rio, dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Neste ano, o ANDES-SN dividiu os participantes em 13 grupos mistos. A APROFURG - Seção Sindical do ANDES-SN participou ativamente de 10 grupos. Segundo o presidente do Sindicato, Cristiano Engelke a delegação com diversos professores e professoras favoreceu o debate em Belém. "Muito importante a presença da APROFURG com esta delegação com 10 professores e professores, todos presentes nos grupos de trabalho e não só presentes fisicamente, mas participando das discussões, compondo as mesas de trabalho, contribuindo com as discussões com um ano difícil e de muita luta, que é o ano de 2019”, explicou Engelke.


A troca de experiências é outro ponto positivo para um evento desta magnitude, segundo Engelke. “A vinda da APROFURG ao 38º Congresso do ANDES também contribuiu para a realização de inúmeros contatos e com as construções coletivas que fazemos aqui com colegas de outras instituições e seções sindicais de todo país. Portanto é muito rica a construção e a participação da APROFURG aqui no Pará”, reforçou.


Já para o professor e delegado da APROFURG, Billy Graeff os grupos mistos têm um grande valor para a democracia. “Os grupos mistos do congresso do Andes são um espaço onde a horizontalidade é colocada, por exemplo a diretoria não vota nos grupos mistos, ou seja, são os próprios delegados que decidem todas as questões, e os grupos mistos assim se conformam como um órgão pulsante da construção da democracia no interior do nosso sindicato”, comentou.


Graeff ainda destacou que vê com alegria os frutos da organização da APROFURG entre os seus delegados e suas delegadas. “Os professores e professoras chegam organizados com todos os textos discutidos, além das propostas de alteração formuladas, o que acaba facilitando as defesas dessas alterações. Também tenho escutado de colegas de outras delegações que isso tem causado um impacto muito positivo nos grupos", ressaltou.


O professor do campus de São Lourenço do Sul e membro da diretoria da APROFURG - Seção Sindical ANDES/SN, Eduardo Forneck explicou a importância dos grupos mistos para o fortalecimento do debate. "Os grupos mistos são um dos locais mais adequados para discutir com mais intensidade os temas relacionados ao plano de lutas e também a centralidade da luta, mesmo que já se tenha discutido em momentos anteriores. Nos grupos a gente vê mais colegas se manifestando e conseguimos enxergar as suas posições de forma mais clara. Alguns professores e professoras não se sentem à vontade para falar na plenária por diversos motivos e nos grupos a gente tem a condição de conseguir discutir com mais calma cada um dos assuntos”, relatou Forneck.

Ainda segundo Forneck, os grupos mistos podem melhorar ainda mais a sua estrutura de debates. "Esses grupos acabam atropelando alguns Textos de Resolução porque o prazo é muito curto e a divisão dos grupos não é feita pela expertise dos professores e professoras, então acho que temos uma correção a fazer no meu entendimento do sindicato. Por outro lado, para uma construção do ANDES-SN e para o reconhecimento e contribuição da APROFURG o nosso grupo veio bastante preparado para as discussões com relatórios sobre os encaminhamentos para cada um dos TRs, e acabamos conseguindo dar uma contribuição muito boa para o processo", concluiu.

NOVIDADE

O 38º Congresso do ANDES-SN tem uma novidade. Os grupos mistos estão homenageando lutadores sociais assassinados em 2018. As expressões de respeito, junto a pequenas biografias, estão expostas nas portas de cada um dos treze grupos.

A ideia de homenagear lutadores surgiu na comissão organizadora do 38º Congresso. Eblin Farage, secretária-geral do ANDES-SN e membro da comissão, explica que a intenção foi dar visibilidade às pessoas assassinadas nesse último período. “Na nossa avaliação, são assassinatos gerados por formas de ódio e por essa onda da extrema direita. Pensamos que era uma maneira de politizar o espaço e homenagear e lembrar esses militantes”, comenta.

A escolha foi feita a partir de um levantamento entre os militantes assassinados em 2018. “Buscamos não só os casos conhecidos, como o de Marielle e de Mestre Moa. Mas também de lideranças indígenas e sem-terra, cujos assassinatos não tiveram tanta visibilidade, mas que são crimes também produzidos pela extrema direita”, afirma Eblin Farage.

Confira os lutadores homenageados:

Raphaela Souza – era estudante de serviço social e cabeleireira. Atuava no Conselho Estadual dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CELGBT) e era representante do Grupo Social Coletivo Finas de Travestis e Transexuais. Ela foi assassinada com três tiros na cabeça, em novembro de 2018, em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia.

Moa do Katendê - considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia, começou a praticar capoeira aos oito anos de idade, no terreiro de sua tia, o Ilê Axé Omin Bain. Premiado e reconhecido internacionalmente, defendia um processo de “reafricanização” da juventude baiana e do carnaval. Foi assassinado com doze facadas pelas costas após o primeiro turno das eleições de 2018. Segundo testemunhas e a investigação policial, o ataque foi motivado por discussões políticas, após Moa declarar ter votado em Fernando Haddad.

Marquinhos Tigresa - um dos principais líderes do movimento LGBT baiano, Marcos Cruz Santana, 40 anos, o Marquinhos Tigresa, foi morto esquartejado na madrugada do dia 18 de agosto de 2018, no município de Itororó, no sudoeste do estado. Além da genitália dilacerada, Marcos tinha vários sinais de golpes de faca no pescoço.

Cacique Jorginho Guajajara - era defensor ambiental indígena na Amazônia maranhense, assassinado em uma das regiões mais ameaçadas da floresta amazônica brasileira, no mês de agosto de 2018.

Matheusa Passarelli - estudante de artes de Uerj e militante LGBTI, assassinada em abril de 2018. A estudante foi morta - e provavelmente queimada - após ir a festa em uma favela carioca, em mais um crime de LGBTfobia no Brasil.

Marielle Franco – era vereadora pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro. A socióloga, ativista dos movimentos feminista e negro, foi executada no centro da capital fluminense. Marielle, a quarta vereadora mais votada na cidade, atuava na comunidade da Maré, onde morava, e, na semana anterior a sua morte, denunciou a violência e os abusos policiais no bairro de Acari. Anderson Gomes, seu motorista, também foi assassinado na ocasião.

Paulo Sérgio Almeida Nascimento - líder comunitário no Pará, assassinado em março de 2018. Nascimento era um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama). Segundo a Polícia Civil, ele foi alvejado por disparos do lado de fora de casa, na cidade de Barcarena. Nascimento era atuante nas denúncias contra a refinaria Hydro Alunorte, responsável pelo vazamento de dejetos tóxicos nas águas da região.

George de Andrade Lima Rodrigues - líder comunitário em Recife, assassinado em fevereiro de 2018. Rodrigues foi encontrado com marcas de tiros e um arame enrolado no pescoço, após três dias de buscas. O corpo dele foi achado em um matagal às margens de uma estrada de terra. Ele havia sido sequestrado por quatro homens que se diziam policiais.

Carlos Antônio dos Santos, o “Carlão” - líder comunitário no Mato Grosso, assassinado em fevereiro de 2018. Carlão era um dos líderes do Assentamento PDS Rio Jatobá, em Paranatinga, e foi morto a tiros, por homens em uma motocicleta, em frente à prefeitura da cidade. Ele estava dentro de um automóvel com a filha e a esposa, que chegou a ser atingida de raspão. Carlão já havia feito várias denúncias à polícia de que estava sendo ameaçado.

Leandro Altenir Ribeiro Riba - líder comunitário de Porto Alegre (RS), assassinado em janeiro de 2018. Ribas era líder comunitário na Vila São Luís, ocupação da zona norte da capital gaúcha. Ele havia deixado de dormir em casa desde alguns dias antes por conta da guerra entre traficantes da região. No dia em que foi assassinado, voltou à vila para pegar roupas, mas acabou morto. A polícia suspeita que Ribas tenha sido executado pelos criminosos ao se apresentar como líder da comunidade e questionar as ações do grupo.

Márcio Oliveira Matos - liderança do MST na Bahia, assassinado em janeiro de 2018. Matos era um dos integrantes mais novos da direção do movimento e morava no Assentamento Boa Sorte. Aos 33 anos, foi morto em casa, com três tiros, na frente de seu filho.

Valdemir Resplandes - líder do MST no Pará, assassinado em janeiro de 2018. Conhecido como 'Muleta', Resplandes foi executado na cidade de Anapu, no Pará. Ele conduzia uma moto e foi parado por dois homens. Um deles atirou pelas costas; já no chão, o ativista foi alvejado na cabeça. A missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada na mesma cidade, em 2005.

Marcondes Nambla - líder indígena da etnia Xokleng, assassinado em janeiro de 2018. Professor e líder comunitário, o indígena Xokleng, Marcondes Nambla, 36, era formado no curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Lecionava na Terra Indígena Laklãnõ, em José Boiteux, no Vale do Itajaí a 161 km de Penha. Foi brutalmente espancado a pauladas no município de Penha, litoral de Santa Catarina. Depois de dois dias internado, Namblá não resistiu aos ferimentos e morreu.


PROFESSORES E PROFESSORAS NEGRAS

Uma reunião dos professores negros e professoras negras do ANDES-SN também ocorreu no final da tarde de ontem, dia 29 de janeiro. A APROFURG - Seção Sindical do ANDES/SN foi representada pela professora Cassiane de Freitas Paixão. Na oportunidade foram compartilhadas experiências e projetos de pesquisas.

NÚMEROS 38º CONGRESSO


O ANDES-SN também divulgou os números oficiais do Congresso em Belém do Pará. Ao todo, 79 seções sindicais estão participando com um total de 393 delegados e delegadas. São 156 observadores e observadoras, 10 convidados e 40 diretores do ANDES-SN. O número total de participantes é de 599.

 

Assessoria de Imprensa APROFURG com informações do ANDES-SN

 

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